quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Capítulo VI – Surpresa ao amanhecer

Depois da reconciliação entre Bartimeu e Fiorela, os dois trataram de aproveitar todo o tempo que tinham disponível para ficarem juntos. Afinal, depois da feira, não sabiam o que o destino havia reservado para eles, se teriam um “final feliz” ou se teriam que colocar um “ponto final” em seu lindo romance.
Os dias se passaram rapidamente transformando-se em semanas, as semanas também passaram voando e assim, num piscar de olhos, faltavam somente dois dias para a grande feira agropecuária anual.
Todos estavam cada vez mais ansiosos e animados para a chegada do grande evento que movimentava não somente aquela fazenda, mas toda a pequena vila perdida entre montes e vales, bem distante dos grandes centros urbanos.
Já era manhã de uma quinta-feira ensolarada e quente, quando o fazendeiro e o veterinário faziam mais uma inspeção por todos os animais, verificando principalmente aqueles que iriam participar da feira,
Já haviam passado pela pocilga, onde encontraram tudo em ótimas condições, depois foram visitar o aprisco, onde também puderam ver que tudo caminhava perfeitamente bem. Os animais esbanjavam beleza e saúde.
Mas ao chegarem ao galinheiro para visitar o casal mais promissor daquela fazenda, Fiorela e Romualdo, acabaram se deparando com uma desagradável surpresa: Romualdo estava doente. Estava desanimado, deitado no chão, sem comer e sem beber. Ele não tinha ânimo nem para levantar a cabeça. Muito menos para subir no telhado e entoar seu lindo canto, que fazia despertar toda a fazenda Capim Dourado.
_ E agora, Dr. Wagner, o que vamos fazer? – disse o fazendeiro.
Dr. Wagner tirou seu chapéu e coçando o alto de sua testa suada, disse, com preocupação:
_ Não sei, “seu” Crispim! Acho que não vai dar tempo de recuperar o Romualdo até o dia da feira, não. É muito arriscado ele fazer um esforço desse tipo. Além do mais, ele vai ter que passar os 5 dias da feira confinado com os outros animais. E se a doença dele for contagiosa, ela pode se espalhar para todos os outros lá dentro. Seria muita irresponsabilidade da nossa parte. Não podemos fazer isso.
_ Por tudo o que é mais sagrado, doutor! Não me fale uma coisa dessas! Nem brinca com isso! – disse o fazendeiro levando as mãos à cabeça, em sinal de desespero.
_ Não estou brincando, seu Crispim. O caso aqui é sério. O galo Romualdo não vai poder participar da feira. Ou achamos um substituto até amanhã ou vamos ter que ficar de fora da exposição.
_ Valei-me! Eu investi tanto nesse galo e nessa galinha, justamente pensando na feira. Não quero ficar de fora de jeito nenhum. Tem que haver um jeito… temos que encontrar esse substituto… mesmo que não seja forte e bonito como o galo Romualdo… só alguém para preencher a vaga… só para não sermos desclassificados.
Enquanto conversavam e quebravam a cabeça tentando achar uma solução para o problema de última hora, o veterinário olhou para fora do galinheiro e viu ali a alguns metros adiante deles, uma cena que chamou a atenção dele.
_ Achei! Achei, seu Crispim! Quem é aquele galo ali?
_ Anh? Mas… já? Onde? Qual galo?
_ Ali, seu Crispim! Ali debaixo daquela amoreira. Olha que coisa mais linda essa cena! Isso vai fazer o maior sucesso lá na feira! Tenho certeza!
Embaixo da amoreira favorita deles, estavam Fiorela e seu querido galo Bartimeu trocando carinhos, como sempre faziam. Lembravam até lindos cisnes nadando no lago e encostando suas cabeças uma na outra e inclinando seus elegantes pescoços enquanto formavam um belo coração branco no horizonte.
Claro que os dois galináceos não conseguiam a mesma inclinação, visto que seus pescoços eram bem mais curtos e limitados que o pescoço dos cisnes. Mas eles não se importavam. O importante era o amor que sentiam um pelo outro. E em toda a redondeza não havia casal mais apaixonado. Era realmente uma coisa linda de se ver.
O fazendeiro mais que depressa se dirigiu até eles e, pegando Bartimeu no colo, disse:
_ Se prepare, meu bravo galinho! Você será o novo representante da fazenda Capim Dourado na feira deste ano. Estou depositando toda a minha esperança em você. Não vá me decepcionar!!! – E dizendo isso, o fazendeiro soltou Bartimeu no chão, ao lado de Fiorela.
Os dois mal podiam acreditar no que acabaram de ouvir: eles estariam juntos na feira!!!
_ Minha princesa Fiorela!!! Você ouviu o que eu ouvi??? Nós vamos juntos para a feira!!!
_ Sim, meu galinho! Eu ouvi! É a melhor notícia de todos os tempos!!!
_ Esse é o dia mais feliz da minha vida!!!!
O casal apaixonado foi dormir naquele dia com o coração palpitando de emoção. Foi difícil acalmar a mente e conseguir pegar no sono. Mas depois de algum tempo, vencidos pelo cansaço, adormeceram. E como num piscar de olhos, o grande dia chegou.
_ Co-co-ri-có, có-coooooó!!!!
O dia raiou no horizonte da fazenda e Bartimeu já estava pronto para partir. Logo o fazendeiro chegou ao galinheiro. Ele e seus ajudantes foram acomodando todos os animais na carroceria da camionete e instantes depois, começaram a viagem rumo à feira, na pequena cidade de Roça Nova.

Capítulo VI - Surpresa ao amanhecer

Uma hora depois…
_ Uaaau!!! Que coisa mais linda esta feira, Bartimeu!!! Olha quantas cores, tanta gente, que cheiro de comida gostosa se espalhando pelo ar!!!
_ É verdade, Fiorela. Parece que a cada ano eles se superam. A decoração está ainda melhor que a do ano passado.
_ Você já tinha vindo na feira, Bartimeu?
_ Ah, sim. Eu vim. Mas vim só de curioso mesmo. Como participante é a primeira vez. E você?
_ Eu nunca vim. Só ouvia falar. Estou amando essa agitação!
_ Eu também. É bom mudar um pouco de ares, né?
_ Demais. Estou muito empolgada!
_ Só tem uma coisa que me preocupa.
_ O que é, meu galinho?
_ É esse negócio da gente não dormir em casa.
_ Como é que é? Como assim? Por que não vamos dormir em casa?
_ É que conforme o regulamento da feira, os animais têm que dormir em baias previamente organizadas pelo evento. Acho que é para evitar contaminação de ficar saindo e entrando todos os dias da feira e também evitar gastos com deslocamento. Até o fazendeiro e o veterinário vieram preparados para dormir aqui, lá na área do camping.
_ Ah, é? Que legal! Bom… então vamos fingir que estamos num grande acampamento. E assim a gente curte tudo e aproveita cada segundo desses dias que vamos passar aqui.
_ Boa ideia! Vamos fazer isso!
O primeiro dia de feira passou voando. Foram muitas emoções para os dois. O casal de aves se tornou uma grande atração daquele evento pois, para chamar mais atenção dos visitantes, o fazendeiro decidiu decorar o stand deles com um tema romântico. Eles encheram o espaço deles com uma cortina de corações metálicos e fizeram também um enorme coração de palha em volta deles, no chão. E quando alguém se aproximava o casal fazia questão de encostar suas cabeças uma na outra, como um bom par de animais apaixonados. Isso aumentava ainda mais o clima de romance e a admiração do público.

Capítulo VI - Surpresa ao amanhecer

As pessoas tiravam fotos, faziam vídeos e jogavam milho para os dois pombinhos, quer dizer, galo e galinha.
Assim que as luzes se apagaram, os dois mal tiveram forças para dizer “Boa noite!”. Se aconchegaram em seus ninhos de palha, e logo caíram em um sono pesado. Era muito importante descansar, pois amanhã começaria tudo de novo e esse era só o primeiro dia de feira. Ainda teriam a semana toda, incluindo o fim de semana, quando sairia o resultado da competição entre os animais.
O segundo dia começou com o raiar do sol mais lindo que Bartimeu já havia visto. Ele acordou no seu melhor humor, ainda com um pouco de sono, mas com as energias renovadas para enfrentar mais um dia de muito trabalho.
Depois de dar uma bela espreguiçada e beber a água fresquinha, Bartimeu foi até a baia ao seu lado para acordar sua doce Fiorela. Segundos depois, ouviu-se um grito desesperador:
_ Oh, nãaaaao!!!! Não pode ser!!!!! A Fiorela sumiu!!!!!!!!!!!!!!!!

Capítulo VI - Surpresa ao amanhecer

…O que será que pode ter acontecido? Será que ela realmente sumiu, ou foi apenas dar uma voltinha? Será que ela pode ter fugido? Será que foi devorada por alguma fera?
Não sei… para saber mais, aguarde as cenas dos próximos capítulos…

Por Bia Borges

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