terça-feira, 22 de setembro de 2026

Amambai: uma cidade feita de histórias

Da erva-mate que abriu os primeiros caminhos às lembranças preservadas nas antigas ruas, a cidade cresceu com o trabalho de sua gente

Para contar a história de Amambai, é preciso voltar a um tempo sem asfalto, grandes lavouras ou o movimento comercial de hoje. A região já era habitada pelos povos Guarani e Kaiowá quando, após a Guerra da Tríplice Aliança, seus extensos ervais passaram a despertar interesse econômico.

Foi a erva-mate, o “ouro verde”, que ajudou a abrir os primeiros caminhos. No final do século XIX, com a Companhia Mate Laranjeira, chegaram trabalhadores e foram abertas estradas para escoar a produção. Por elas passavam carretas que encontravam por aqui água, sombra e descanso. Ao redor dessas paradas surgiram casas, comércios e novos moradores.

Amambai: uma cidade feita de histórias
(Foto: Acervo do Museu José Alves Cavalheiro)

Gaúchos, estrangeiros e famílias atraídas pela agricultura e pela criação de gado também chegaram. A povoação foi chamada de Paz Nhú Vera e, depois, Patrimônio da União. Distrito de Ponta Porã desde 1914, recebeu em 1946 o nome Amambai, vindo do Rio Amambai. De origem tupi-guarani, o nome é associado a “rio da samambaia” e também, em outra interpretação, ao orvalho que cai das folhas ao amanhecer.

Amambai: uma cidade feita de histórias
(Foto: Acervo do Museu José Alves Cavalheiro)

Em 28 de setembro de 1948, Amambai tornou-se município. Seu território era muito maior: Iguatemi, Eldorado, Mundo Novo, Tacuru, Paranhos, Coronel Sapucaia e Sete Quedas estiveram ligados a Amambai antes de conquistarem autonomia.

Uma cidade também é feita das pequenas histórias. Uma antiga fotografia da Avenida Pedro Manvailler guarda uma delas: o sobrado onde viveu Albertinho Braud, filho do francês Alberto Braud, lembrado como o primeiro fotógrafo profissional de Ponta Porã. Mais tarde, o imóvel foi residência do advogado Hélio Capilé e também abrigou o jornal Correio da Fronteira e a academia de judô do professor Pacheco. Hoje, no local funciona a Videotek.

Avenida Pedro Manvailler, no local onde hoje está a Videotek. (Foto 1: Acervo do Museu José Alves Cavalheiro)

Quase ao lado, na esquina e em frente à Prefeitura da época, ficava o Hotel e Sorveteria Alaska, de dona Vidalvina. São lembranças de uma Amambai com outro ritmo, guardadas na memória de quem viu suas ruas, casas e comércios se transformarem.

Depois da erva-mate, vieram a madeira, a pecuária e a agricultura moderna. Hoje, agropecuária, comércio e serviços movimentam uma cidade de 39.325 habitantes, segundo o Censo 2022. Dados mais recentes, reunidos por plataformas especializadas e projeções locais, apontam que a população do município já é estimada em aproximadamente 41.751 moradores. 

Dos ervais que abriram os primeiros caminhos às lavouras de hoje, das antigas carretas às ruas que continuam se transformando, Amambai foi construída por muitas mãos e muitas histórias. Cada geração deixou suas marcas e ajudou a escrever um capítulo dessa trajetória.

Aos 78 anos, Amambai segue crescendo sem deixar para trás as histórias que ajudam a explicar quem somos e de onde viemos.

Por Patrícia Rocha
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