Tive excelentes professoras nos primeiros anos escolares, mas nenhuma me marcou tanto quanto a professora Leda.
Eu tinha 7 anos e estava no 2º ano do Ensino Fundamental, na Escola Estadual Osório de Morais, em Coromandel, no Triângulo Mineiro.
A professora Leda era jovem, bonita e muito educada. Tratava os alunos com carinho. Minha professora do 1º ano era muito rígida, então senti com alívio a diferença.
Dona Leda, como todos a chamavam, era mesmo um doce de professora. Carinhosa e paciente, toda a turma gostava muito dela. Lembro com saudades dos adesivos junto com o “visto” nos cadernos e do momento reservado para a leitura no final da aula.
Era sagrado.
Uns quinze minutos antes do sino bater, todos guardavam o material e ouviam atentos a leitura de um livro — a cada dia, um capítulo. Ficávamos ansiosos para saber a continuação da história. Era um momento muito esperado.
Lembro da leitura do livro A Ilha Perdida, um clássico da Série Vaga-Lume. A cada dia, um pedacinho da aventura; no dia seguinte, a expectativa para descobrir o que aconteceria. Lembro de detalhes da história, de como imaginava cada cena, como se estivesse também naquela ilha, ao lado dos primos aventureiros. Anos depois, adquiri o livro — e o tenho até hoje.
Foi assim que aprendi a amar os livros.
Professora Leda, seu carinho e suas histórias me marcaram profundamente. Que saudade daqueles momentos de leitura!

Anos depois, quando me vi cursando o Magistério e, ainda no 3º ano, assumindo minha primeira sala de aula, me lembrei da professora Leda. Desejei, de alguma forma, impactar meus alunos como ela havia me impactado.
Um pouco mais tarde, já graduada em Letras e lecionando Língua Portuguesa, mais uma vez a professora Leda me inspirou. Estava nas aulas de leitura que fiz questão de reservar dentro do horário, nas provas e atividades sempre acompanhadas de uma “figurinha”, alguma ilustração que tornasse aquele momento mais leve.
Talvez eu não percebesse na época, mas carregava um pouco dela para dentro da minha própria sala de aula.
A professora Leda me ensinou, quando eu apenas começava minha trajetória escolar, que o afeto é um ingrediente valioso para quem escolhe ensinar. Ele torna a escola um lugar onde se deseja estar e o aprendizado, algo prazeroso.
Hoje percebo que aquelas pequenas coisas — um adesivo no caderno, um desenho numa atividade, alguns minutos dedicados a uma história — não eram tão pequenas assim. Permaneceram comigo e, muitos anos depois, chegaram também aos meus alunos.
Talvez seja essa uma das coisas mais bonitas da profissão: um professor nem sempre sabe até onde alcança aquilo que ensina. A professora Leda certamente não imaginava que, naquela sala de aula, enquanto lia um capítulo de A Ilha Perdida para uma menina de 7 anos, também ajudava a formar a professora que ela viria a ser.
Professora Patrícia Rocha
