Entre cores, técnicas e aprendizado, as artes se tornam ferramenta de transformação na vida das meninas atendidas pelo projeto
No Instituto Eduardo Dutra Lescano, em Amambai, a Oficina de Artes é apenas uma das portas de entrada para um universo muito maior de aprendizado, convivência e formação humana. Sob a coordenação de Marilene, carinhosamente conhecida como “Fofa”, o projeto se consolidou como um importante espaço de acolhimento e desenvolvimento para crianças e adolescentes da comunidade.

Muito além do artesanato, o instituto oferece acesso a diversas atividades, como música, canto, balé, judô, esportes e outras práticas que contribuem para o crescimento físico, emocional e social dos participantes. Atualmente, cada criança pode escolher até duas modalidades, o que permite ampliar o número de atendidos e organizar melhor as vagas; ainda assim, a procura é grande, e existe fila de espera.
Na Oficina de Artes, cerca de 17 meninas participam semanalmente das atividades, produzindo peças como pinturas em pano de prato, crochê e objetos com materiais recicláveis. Caixas, latas, potes e outros itens que seriam descartados ganham novos significados nas mãos das participantes, estimulando criatividade, consciência ambiental e autonomia.

Entre as participantes, histórias como a de Maria Isadora, de 14 anos, ajudam a traduzir a essência do projeto. Há mais de cinco anos no Instituto, ela atualmente participa das turmas de artesanato, canto e beach tênis, mantendo uma rotina ativa dentro das atividades oferecidas. Envolvida e comprometida, Maria Isadora é uma das alunas que, além de aprender, também auxilia quando necessário, apoiando as professoras e contribuindo com o grupo. Para ela, o projeto é um espaço que faz parte da sua vida, um lugar onde aprende, se desenvolve e encontra motivação.

Mas o verdadeiro valor do projeto vai muito além da produção. A rotina organizada, o cuidado com os materiais e o compromisso com as atividades ajudam a desenvolver disciplina, responsabilidade e senso de organização. Cada detalhe, desde preparar o espaço até finalizar uma peça, faz parte de um processo educativo que impacta diretamente o comportamento das crianças.
Essa formação também envolve valores e princípios. Segundo Fofa, o projeto trabalha de forma clara a questão da disciplina e da responsabilidade, sempre aliadas ao diálogo. “Aqui existe regra, existe compromisso. A gente orienta, conversa, mas também ensina que toda ação tem consequência. Isso faz parte da formação delas”, explica. Ela também destaca que o trabalho desenvolvido inclui um lado espiritual, que contribui para fortalecer valores e orientar escolhas no dia a dia.
E esse impacto é percebido fora do instituto. O retorno das famílias é frequente: pais relatam mudanças positivas na postura dos filhos, mais responsabilidade em casa e maior envolvimento com atividades produtivas.
A professora da oficina, Ângela Maria Rodrigues, acompanha de perto essa transformação. Para ela, o projeto tem um significado que vai além do que se vê. “É muito gratificante. Quem não conhece não tem noção da dimensão do que isso representa para elas. Aqui, elas poderiam estar na rua ou no celular, mas estão fazendo algo que realmente agrega, e fazem com prazer”, destaca.

Outro ponto importante é que, mesmo não sendo o objetivo principal, o artesanato pode se tornar uma oportunidade de geração de renda. Algumas participantes já vendem suas produções, enquanto outras utilizam o que aprendem para presentear familiares ou até ajudar em casa.
O projeto também conta com o apoio da comunidade, fundamental para sua continuidade. Atualmente, o instituto recebe doações de materiais como tintas, pincéis e insumos reaproveitáveis, mas ainda há necessidade de mais apoio. Itens como tinta de tecido, pincéis, cola branca, fitilhos e materiais recicláveis são sempre bem-vindos e fazem diferença direta no dia a dia das atividades.
Além das ações semanais, o instituto promove, uma vez por mês, encontros aos sábados com palestras educativas sobre temas como saúde, prevenção e cidadania, seguidas de atividades recreativas que fortalecem a convivência e o aprendizado coletivo.
Ao longo dos anos, a Oficina de Artes e as demais atividades do Instituto Eduardo Lescano têm mostrado que, quando há oportunidade, orientação e propósito, o aprendizado ganha novos sentidos. Mais do que ensinar técnicas, o projeto forma valores, amplia horizontes e oferece às crianças caminhos possíveis para o futuro.

Em um cenário onde muitos jovens poderiam estar expostos a situações de vulnerabilidade ou excesso de tempo nas telas, iniciativas como essa se destacam por oferecer algo essencial: um espaço seguro, educativo e transformador.
Por Patrícia Rocha
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