As crianças não deixam suas emoções do lado de fora quando entram na escola. Elas trazem consigo tudo o que estão vivenciando, as mesmas coisas que os adultos não conseguem compreender. E isso inclui as dificuldades, cansaço, as expectativas, os medos, anseios, inseguranças e frustrações. Tudo isso refletindo no próprio comportamento.
O que parece ser apenas uma melhora ou falta de interesse pode ser uma tentativa das emoções de encontrar um espaço para escapar. Algumas crianças falam alto, enquanto outras permanecem em silêncio. Algumas não conseguem ficar sentadas e ficam se levantando e conversando. Outras são tão quietas que quase passam despercebidas. Mas todas estão tentando comunicar algo e nenhuma criança faz nada sem um motivo.
E um dos maiores erros que os adultos cometem é olhar para uma criança como se ela estivesse sozinha em pedaços. Esse pensamento é bem ilustrado em “O Menino Maluquinho”, de Ziraldo. Por muito tempo, vimos apenas o menino correndo e fazendo coisas malucas, criatividade excessiva, movimentos em fantasias e expressões. Mas, na realidade, ele tinha uma imaginação muito rica e vivia cercado por sentimentos, afetos, necessidades e laços emocionais.
Será que muitas crianças hoje em dia são vistas apenas pelo barulho que fazem? Este é o meu questionamento.
O pediatra e psicanalista Donald Winnicott afirmou que o ambiente emocional é muito importante para o desenvolvimento infantil. Isso faz sentido quando pensamos na família, na escola e nos relacionamentos que uma criança estabelece. E é nesse ambiente que ela descobre quem é seu eu. E o mesmo afirma também que é impossível aprender algo novo sem que as emoções estejam envolvidas.
No fim das contas, quando uma criança se sente acolhida, ela aprende melhor, sente-se segura e consegue expressar o que sente. É por isso que a família, a escola e a psicologia devem trabalhar juntas. Dessa forma, a criança deixa de ser apenas um rótulo e passa a ser compreendida. Talvez o que a infância precise hoje seja menos julgamento e mais escuta,né? Afinal, nenhuma criança vive em pedaços; ela é uma criança completa.

Por: Evelyn Natiele Paes da Silva
CRP 14/08452-7
Psicóloga Clínica Infantil e Familiar
