Em 2027, o calendário escolar brasileiro terá uma mudança especial: as férias do meio do ano deverão coincidir com o período da Copa do Mundo Feminina da FIFA, que será realizada no Brasil.
A regra está prevista na Lei nº 15.421/2026, sancionada em 1º de junho de 2026. A legislação estabelece medidas para a realização da competição no país e determina que os sistemas de ensino ajustem seus calendários para que as férias escolares do primeiro semestre de 2027 aconteçam durante todo o período da Copa.

A competição está prevista para ocorrer entre 24 de junho e 25 de julho de 2027. Isso significa que escolas públicas e privadas deverão reorganizar o ano letivo para que esse intervalo seja destinado às férias escolares.
Na prática, a mudança não significa menos aulas. As escolas continuarão obrigadas a cumprir a carga horária e os dias letivos previstos na legislação educacional. O que muda é apenas a distribuição dessas aulas ao longo do ano.
Para encaixar o novo período de férias, redes de ensino poderão antecipar o início das aulas, reorganizar recessos, ajustar semanas de avaliações ou redistribuir os dias letivos, sempre respeitando a legislação.
Em Amambai, organização ainda será discutida
Em contato com a Gazeta Educação, a secretária municipal de Educação de Amambai, Rosemeire Charão, informou que a Secretaria Municipal de Educação (Semed) já tem ciência da determinação, mas que a organização do calendário de 2027 ainda não começou a ser discutida.
Segundo ela, o Governo Federal apenas comunicou a decisão, sem apresentar um modelo de adequação ou alternativas para os municípios.
Rosemeire explicou ainda que, tradicionalmente, o calendário da rede municipal é construído em conjunto com a Coordenadoria Regional de Educação (CRE-11), responsável pela representação da Secretaria de Estado de Educação na região. Essa integração é importante principalmente por causa do transporte escolar, que atende estudantes das redes municipal e estadual.
De acordo com a secretária, uma reunião entre a Semed e a CRE-11 deverá ser realizada para discutir como será feita essa adaptação no calendário de 2027.
Cada sistema fará sua adaptação
Até o momento, não existe um calendário único para todo o Brasil. A lei determina apenas que as férias coincidam com o período da Copa do Mundo Feminina, cabendo às secretarias estaduais e municipais de educação e às escolas particulares definir a melhor forma de reorganizar o ano letivo.
Além das férias escolares, a legislação também autoriza a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios a decretarem feriados ou pontos facultativos em dias de jogos ou eventos oficiais da competição, especialmente nas cidades-sede.
A nova legislação, no entanto, já gera questionamentos entre representantes das escolas particulares. A Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep) afirma que a lei não teria competência para interferir diretamente na organização do calendário das instituições privadas e estuda ingressar com uma ação na Justiça. Segundo a entidade, a medida pode comprometer o cumprimento dos 200 dias letivos previstos na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e afetar a autonomia das escolas na elaboração de seus calendários.
A Copa do Mundo Feminina de 2027 será histórica: será a primeira vez que o Brasil sediará o torneio. Além de movimentar o esporte, a competição também provocará mudanças na rotina das escolas de todo o país.
Mais do que uma alteração no calendário, a novidade pode representar uma oportunidade para o desenvolvimento de projetos pedagógicos relacionados à Copa, abordando temas como esporte, diversidade cultural, cidadania, geografia, história e outros conteúdos previstos no currículo escolar.

Por Patrícia Rocha
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