No dia 22 de agosto, comemoramos o Dia do Coordenador Pedagógico, profissional que domina a difícil arte de planejar o futuro enquanto resolve os imprevistos do presente.
Sua rotina começa organizada, pelo menos no papel. Mas basta o sinal tocar para surgirem dúvidas de professores, estudantes precisando de acolhimento, famílias querendo conversar, projetos aguardando orientação e reuniões que não estavam na agenda. Em meio a tudo isso, ainda é preciso acompanhar a aprendizagem e ajudar a escola a avançar.
O coordenador pedagógico é o elo entre direção, professores, estudantes e famílias. Participa do planejamento curricular, acompanha as práticas de ensino, orienta a equipe docente, ajuda a administrar conflitos e promove a formação continuada dos educadores. Em outras palavras, é quem procura manter todas as peças da escola funcionando junta, mesmo quando algumas insistem em sair do lugar.
Para exercer tantas funções, não basta conhecer metodologias e documentos. É preciso saber ouvir, dialogar, mediar, acolher e, muitas vezes, respirar fundo antes de responder: “Vamos encontrar uma solução”.
Currículo, cultura e futuro
Na Escola Estadual Indígena Mbo’Eroy Guarani Kaiowá, o coordenador de Prática Inovadora, Algacir Amarilia, destaca que uma de suas principais responsabilidades é orientar o planejamento para que o currículo dialogue com a realidade local.
O trabalho inclui combater a evasão escolar, acompanhar a frequência dos estudantes, compreender suas realidades individuais e apoiar a construção dos Projetos de Vida dos jovens, conectando os estudos ao futuro que desejam construir dentro ou fora da comunidade.
Essa aproximação também acontece por meio da valorização dos conhecimentos tradicionais. Uma das propostas é incentivar os estudantes a entrevistarem os anciãos sobre a história local, as plantas medicinais e a cosmologia Kaiowá, transformando os relatos em conteúdos desenvolvidos em sala de aula.
Para Algacir, a organização escolar também deve respeitar o modo de vida da comunidade, adaptando as atividades ao tempo da roça, das colheitas e dos rituais tradicionais. Da mesma forma, o Guarani precisa ser valorizado e utilizado não somente como disciplina, mas como uma linguagem viva na construção do conhecimento científico.
Entre as maiores realizações do trabalho está ver um estudante que antes sentia vergonha de sua cultura passar a expressar orgulho de ser Kaiowá. Algacir também valoriza a participação ativa de pais e lideranças nas decisões escolares e a transformação da escola em um espaço de crescimento e de vida, no qual os jovens compreendam que o conhecimento é uma ferramenta para a defesa de seus direitos.

Para o futuro, o coordenador espera que mais jovens Guarani Kaiowá ingressem nas universidades e levem o conhecimento adquirido de volta às suas comunidades, atuando como advogados, médicos, agrônomos, professores e em outras profissões.
Ele também deseja que esses jovens ocupem espaços de decisão e defendam o território e a cultura Guarani Kaiowá com as ferramentas do mundo acadêmico, sem perder o vínculo com a ancestralidade e com o Tekoha – território indígena.
Parceria e construção coletiva
A função da coordenação mudou ao longo do tempo. Se antes estava ligada principalmente à fiscalização do trabalho dos professores, hoje se fundamenta na parceria, na construção coletiva e no aperfeiçoamento constante das práticas pedagógicas. O coordenador não está na escola apenas para apontar caminhos, mas para percorrê-los ao lado da equipe.
Neste 22 de agosto, fica o reconhecimento a quem organiza, orienta, incentiva, acolhe, acalma, reorganiza e ainda encontra disposição para começar tudo novamente no dia seguinte.
Parabéns aos coordenadores pedagógicos, profissionais que transformam desafios, ideias e muitos imprevistos em aprendizagem!
Por Patrícia Rocha
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