Alunos do Ensino Médio da Escola Estadual Indígena Mbo’eroy Guarani Kaiowá da Aldeia Amambai-MS começaram a explorar o universo da robótica através da montagem do kit educacional ED08 Avançado. A atividade prática envolve a programação de motores e sensores, focando no desenvolvimento do raciocínio lógico e do pensamento computacional dos estudantes. A ação reforça o papel da tecnologia como ferramenta de inclusão e preparação para o futuro no ambiente escolar indígena.
Para os estudantes da Escola Mbo’eroy Guarani Kaiowá, a introdução da robótica e da programação vai muito além de ligar fios ou fazer um motor girar. A experiência gera aprendizados profundos que conectam a tecnologia de ponta com a realidade e a cultura deles. O impacto real e a experiência prática desses alunos podem ser traduzidos ao programar um sensor ou um motor que exige o que chamamos de pensamento computacional. Os alunos aprendem a fazer o robô andar e desviar de um obstáculo. Perceber erros no código e entender a lógica de causa e efeito. O erro na robótica é parte do processo. Quando o robô não funciona de primeira, eles aprendem a persistir, investigar o código e testar novas soluções.

Muitas vezes, as comunidades indígenas são vistas apenas pelo viés da tradição. Quando esses jovens dominam a robótica, eles quebram estereótipos. Eles deixam de ser apenas consumidores de tecnologia (como usar redes sociais no celular) e passam a ser criadores de tecnologia. Isso eleva a autoestima pedagógica dos estudantes, mostrando que eles são perfeitamente capazes de ocupar os mesmos espaços científicos e tecnológicos que qualquer outro jovem no mundo.


A montagem de um kit como o ED08 Avançado raramente é feita de forma isolada. Os alunos precisam colaborar, dividir tarefas (um foca na estrutura física, outro na lógica da programação), debater ideias e respeitar o tempo de aprendizado do colega. Isso desenvolve liderança, comunicação e a capacidade de trabalhar em grupo. O maior aprendizado para eles é perceber que a tecnologia não anula a identidade indígena, ela a potencializa. No futuro, esse conhecimento pode ser usado pelos próprios jovens para criar soluções para a própria comunidade, como: Sistemas de irrigação automatizados para a agricultura familiar da aldeia, Sensores de monitoramento ambiental ou de qualidade da água. Aplicativos voltados para a valorização e registro da língua e da cultura Guarani Kaiowá.

A robótica na aldeia entrega aos alunos as ferramentas técnicas do futuro (lógica, matemática aplicada, engenharia básica), mantendo-os firmes em suas raízes e preparados para dialogar de igual para igual com os desafios do mundo moderno.
Duadino Martines
Maxwell da Silva Amaral

