Lá se vão 20 anos de Gazeta Educação e isso, por si só, já é uma marca histórica, mas se considerarmos que diversos veículos de comunicação impressos, muitas vezes com grandes públicos e investimentos, sucumbiram à era digital, é praticamente um feito heroico.
Mas, por que isso acontece? Qual terá sido a fórmula para fazer este projeto dar certo em diferentes cenários e tempos? A resposta para esta pergunta é simples: o foco no objetivo. Desde que iniciou suas atividades, o Jornal Gazeta Educação não perdeu sua essência, que sempre foi servir de instrumento para o registro e troca de experiências entre os diferentes entes educacionais presentes no município de Amambai, sem distinções entre o público, o filantrópico, o autônomo, o privado, o municipal ou o estadual. Em pouco tempo o jornal se tornou a voz, a imagem e a memória para o um nicho de leitores segmentado e fiel, que hoje encontra-se numa posição confortável, exclusiva e luxuosa, porque não dizer, uma vez que não se tem registro de outro jornal com tais características no país inteiro.
O que pouca gente se lembra é que o Jornal Gazeta Educação possui um ancestral que já carregava seu DNA com pretensão de figurar como um veículo democrático; pois, assim como seu descendente, era inteiramente feito pelo público e exclusivo para tratar dos relevantes assuntos relacionados à comunidade educacional local: A Gazeta Estudantil, que circulou entre os anos de 1997 e 1998, da qual tive o privilégio de tomar parte. Mesmo ainda muito acanhado, o pequeno folhetim representou os primeiros passos de uma ideia que mais tarde se solidificaria ao ter agregada em seu novo projeto a participação da sociedade amambaiense, que acreditou, incentivou e ainda hoje viabiliza os custos de sua produção.
Já em seu formado definitivo, após alguns anos distante, voltei a prestar minhas contribuições no ano de 2009 ao Gazeta Educação, que ainda comemorava seus 5 anos de existência; portanto, pude acompanhar orgulhoso a sua evolução, inclusive sua adaptação aos tempos modernos, adentrando definitivamente aos meios digitais. O interessante é que isso foi feito sem que o modelo impresso fosse menosprezado, o que aos jovens estudantes proporciona o acesso a algo palpável e didático, sem o qual talvez eles jamais saberiam qual é o prazer de folear um jornal como era num passado não muito longínquo, mas com um bônus: a possibilidade de se enxergar no jornal.
Naquela época, não se imaginava que os jornais impressos estariam com seus dias contatos. Mas isso não representou um problema, pois a Gazeta possuía uma alma inabalável, era um produto com fim específico e bem definido, por isso entre suas pautas também se valeu daquele momento para contar a redefinição dos rumos de sua história.
Tudo vale a pena quando a alma não é pequena
O poeta português, Fernando Pessoa, traduz bem, e resumidamente, o que desejo transmitir, pois é isso que define o Jornal Gazeta Educação. Sem grandes pretensões, mas com ‘alma’ altruísta e transparente, sua existência não apenas é justificada, mas vale cada esforço.
Posso afirmar seguramente que algumas gerações de amambaienses se habituaram a receber mensalmente este legítimo fomentador da educação e da interação dos atores que produzem e se abastecem do saber para futuramente transformar a sociedade. E não tenho dúvidas de que ao surgirem outros desafios eles também serão superados, e por último (adaptando os versos de Camões, também português, para este novo contexto) não haveria como ser diferente, pois este conceito está arraigado em seu sujeito e com sua própria alma se conforma. Está no pensamento como ideia; e o vivo e puro amor com que é feito (este jornal), como a matéria simples busca a forma. Parabéns, Gazeta Educação! E que venham muitos e muitos anos!
Por: Luiz Cláudio Ferreira
Graduado em Letras pela UFMS e em Artes pela UFCV. Pós graduado em Arte na Educação: Teatro, Dança e Música. Escritor, autor de livros infantis e peças de teatro. Colaborador do Jornal Gazeta Educação desde 2009.
