Iniciada em maio, nova modalidade reúne crianças de 7 a 10 anos e trabalha disciplina, concentração, respeito e socialização
O Instituto Eduardo Dutra Lescano ampliou neste ano as atividades oferecidas às crianças com a implantação das aulas de kung fu. Os treinos começaram em maio, sob a orientação do professor Carlos Monteiro Alves, que pratica a arte marcial há cerca de 20 anos.
Esta é a primeira turma de kung fu formada pelo Instituto. Por enquanto, a modalidade reúne dez alunos, com idades entre 7 e 10 anos, que participam das aulas duas vezes por semana. Como todos começaram praticamente juntos, o grupo está aprendendo desde os fundamentos básicos, como alongamentos, posições, formas corretas de executar os movimentos e as primeiras sequências da arte marcial.
Carlos conta que seus filhos já eram atendidos pelo Instituto em outras atividades e que viu no kung fu uma maneira de contribuir com o trabalho realizado pela entidade.
“Pensei em uma forma de retribuir o trabalho que o Instituto faz em nossa região. Como pratico kung fu há bastante tempo e gosto muito, resolvi oferecer as aulas. Felizmente, temos recebido um bom retorno. Os alunos e as famílias estão gostando”, relata.
Durante os treinos, as crianças aprendem sequências de movimentos que exigem atenção, coordenação e memória. De acordo com o professor, elas se assemelham a uma coreografia: cada posição precisa ser executada na ordem correta e, quando o aluno perde a concentração, também pode perder a sequência.

Por isso, além do desenvolvimento físico, as aulas estimulam o foco, a paciência, a persistência e a dedicação. Os alunos também são incentivados a praticar em casa, com orientações e vídeos encaminhados pelo professor.
Carlos destaca que o kung fu vai muito além das técnicas de ataque e defesa. A modalidade transmite princípios como respeito aos professores e colegas, disciplina e responsabilidade.
“O motivo de treinar uma arte marcial não é a violência. É uma questão de saúde, concentração e equilíbrio. O kung fu ensina a treinar o corpo e o espírito para a paz”, explica.

Os encontros ainda reservam espaço para brincadeiras e convivência. Esses momentos ajudam as crianças a interagir, conversar e construir novas amizades. Para Carlos, a socialização é um dos benefícios que mais se destacam, especialmente em uma época em que muitas crianças passam grande parte do tempo diante de celulares, computadores e outros aparelhos eletrônicos.
Mesmo com poucos meses de atividades, o professor já percebe mudanças no comportamento dos alunos. Crianças que chegaram mais retraídas passaram a participar das brincadeiras e a conversar com o grupo. A prática também contribui para melhorar a concentração, a postura e o comportamento dentro e fora das aulas.
Entre as integrantes da turma está Heloísa Ostemberg, de 9 anos. O kung fu foi sua primeira experiência com a modalidade, e ela conta que gostou dos exercícios e da dinâmica das aulas desde o início.

Em pouco tempo, Heloísa já percebeu mudanças em seu corpo. Uma das principais foi a melhora da postura. “Eu andava mais curvada e agora estou com a postura mais correta”, conta a aluna, que também observa evolução em sua força física.
Além de participar dos treinos no Instituto, Heloísa pratica alguns movimentos em casa, seguindo os vídeos encaminhados pelo professor. Agora, ela aguarda com expectativa o primeiro exame de faixa e deseja continuar aprendendo, aperfeiçoar os movimentos e, futuramente, conquistar faixas e medalhas.
A aluna também destaca a oportunidade de conviver com outras crianças. Alguns colegas ela já conhecia, enquanto outros passaram a fazer parte de seu círculo de amizades a partir das aulas. Além do kung fu, Heloísa participa das atividades de artesanato e teatro oferecidas pelo Instituto. No kung fu, ela deseja continuar evoluindo e pretende participar de futuras competições. No teatro, já esteve em algumas apresentações e conta que, quando sobe ao palco, sente-se uma estrela. Proporcionar experiências como essas às crianças é algo valioso: são momentos de aprendizado, alegria e realização que se transformam em lembranças levadas por toda a vida.

Por Patrícia Rocha
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