quarta-feira, 27 de maio de 2026

Música que educa e emociona

Aulas de música do Instituto Eduardo Lescano ampliam o acesso à cultura, desenvolvem talentos e fortalecem valores como disciplina, autoestima e convivência

A música tem ocupado um espaço especial na rotina das crianças e adolescentes atendidos pelo Instituto Eduardo Dutra Lescano, em Amambai. Mais do que aprender a tocar um instrumento, os alunos encontram nas aulas uma oportunidade de desenvolver a sensibilidade, a concentração, a coordenação, a disciplina e a confiança em si mesmos.

Uma atividade que começou em 2019

As atividades musicais começaram a ser desenvolvidas no Instituto em 2019, inicialmente com aulas de violão. De acordo com Marilene, a Fofa, fundadora e coordenadora do Instituto, a proposta surgiu a partir da compreensão de que as crianças atendidas pelo Projeto Semear poderiam ter mais uma opção dentro das atividades socioeducativas, com acesso gratuito ao conhecimento cultural.

Na época, o professor de canto, Luiz Paulo, identificou algumas crianças com talento para a música e percebeu ali uma oportunidade de contribuir de forma significativa para o desenvolvimento emocional e social dos atendidos. Desde então, a música passou a integrar o conjunto de ações do Instituto, somando arte, educação e formação humana.

Atualmente, 32 alunos são beneficiados pelas aulas de música, com faixa etária entre 7 e 15 anos, contemplando diferentes níveis de aprendizado. Até 2025, o Instituto oferecia aulas de teclado e violão. Neste ano, a atividade foi ampliada com a inclusão da escaleta e do ukulele, permitindo que mais crianças e adolescentes tivessem contato com diferentes instrumentos. 

Dedicação que continua em casa

As aulas são ministradas pelos professores Érick Pereira Ramos e Roberto Duarte Bandeira, o Beto Bandeira. Érick, que há dois meses atua no Instituto, trabalha com os alunos violão, ukulele, escaleta e teclado. Já o professor Beto Bandeira dá aulas de violão, teclado e escaleta.

A escolha do instrumento acontece de formas variadas. Algumas crianças já chegam ao Instituto com uma preferência definida no momento da matrícula. Outras passam por um processo de orientação, considerando o interesse demonstrado durante aulas experimentais de até 30 dias, além das aptidões individuais e da disponibilidade de vagas e instrumentos.

Alguns alunos possuem violão em casa e levam o instrumento para as aulas. Outros, depois de um período de participação e acompanhamento, podem levar os instrumentos do Instituto para treinar em casa, desde que os pais assinem um termo de compromisso. A medida reforça a importância da prática fora da sala de aula e permite que o aprendizado continue também no ambiente familiar.

Segundo o professor Érick, o aprendizado exige dedicação também fora da sala de aula, especialmente neste início, quando as crianças ainda estão desenvolvendo os primeiros movimentos.

“Nas aulas de violão dessa turma de iniciantes, treinamos os movimentos básicos e explico que, com dedicação, eles já conseguem tocar algumas músicas. Mas é importante treinar em casa, nem que seja um pouquinho por dia, porque a prática faz muita diferença. Quanto mais o aluno repete, mais segurança ele ganha para tocar”, destaca o professor.

Durante as aulas, os estudantes aprendem desde os primeiros movimentos no instrumento até orientações sobre postura, ritmo, técnica e concentração. A dedicação individual é um dos fatores que mais fazem diferença no desenvolvimento dos alunos. Como também destaca Fofa, a música exige empenho e ensaios em casa. Por isso, alguns estudantes acabam se destacando mais do que outros, justamente pela dedicação e pela prática constante fora das aulas. 

Música, autoestima e novos sonhos

Para Fofa, os resultados das aulas vão muito além da técnica musical. Segundo ela, é notório que a música contribui para o desenvolvimento da disciplina, responsabilidade, trabalho em equipe e respeito. Além disso, fortalece habilidades como concentração, coordenação motora, autoestima e expressão emocional.

Essa percepção também aparece entre os próprios alunos. A aluna Iara, por exemplo, contou que sentiu diferença na escola depois que iniciou as aulas de música. Segundo ela, o aprendizado ajudou a melhorar o foco, contribuindo para que conseguisse prestar mais atenção nas atividades escolares.

Já Ana Vitória revelou que tem vontade de aprender violão para tocar no canal dela do YouTube. O desejo da aluna mostra como a música também dialoga com o mundo das crianças e adolescentes de hoje, aproximando o aprendizado artístico da tecnologia, da criatividade e da vontade de se expressar em diferentes espaços.

Música que educa e emociona
Alunos de violão, do professor Érick

Embora algumas turmas ainda estejam no início do processo e não tenham realizado apresentações externas, a expectativa é de que, até o final do ano, os alunos já estejam preparados para tocar músicas completas. No Instituto, as apresentações acontecem na própria sede, em dias culturais e eventos internos, com a participação das demais crianças atendidas pelo IEDL, das famílias e de convidados. Esses momentos fortalecem a autoconfiança, incentivam a superação de desafios e aproximam ainda mais as famílias da instituição.

Fofa também destaca que o Instituto acompanha histórias inspiradoras de alunos que, por meio da música, conseguiram superar a timidez e dificuldades emocionais e sociais. Alguns se arriscam até a cantar enquanto tocam, o que revela talentos e encanta a equipe. Muitos pais também enviam vídeos dos filhos cantando em família, em rodas de amigos e até na escola.

Música que educa e emociona
Alunos de teclado, do professor Beto Bandeira

Dentro da missão do Instituto Eduardo Lescano, as aulas de música promovem inclusão, desenvolvimento integral e fortalecimento de vínculos. Para o futuro, a intenção é diversificar ainda mais os instrumentos ofertados, ampliar o número de participantes e fortalecer parcerias que possibilitem novas oportunidades aos alunos.

Mais do que formar músicos, as aulas ajudam a formar crianças mais atentas, confiantes, sensíveis e preparadas para se expressar no mundo. Afinal, quando uma criança aprende a tocar um instrumento, ela também descobre que, com dedicação, pode transformar esforço em música, emoção e sonho.

Por Patrícia Rocha
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