quarta-feira, 29 de abril de 2026

Capítulo III – Amor em queda livre

Conforme ele escalava escolhendo o melhor trajeto para seus pequenos pés, ele se aproximava da parede que passava por detrás da cachoeira, onde também havia uma pequena caverna escondida sob o véu das águas. Assim que ele pousou seu primeiro pé na entrada da caverna, Bartimeu soltou um grito aterrorizante:
_ Oh, naaaaaão!!!!!!!!!

Bartimeu pisou em falso e despencou em queda livre, do alto da cachoeira. Apavorado e com suas penas molhadas e pesadas, de pouco adiantaram as tentativas de voar para evitar a queda.
Em poucos segundos, nosso querido galo estava caído sobre uma pedra larga e lisa, às margens da cachoeira.
E agora? O que seria de Bartimeu ali ferido e desmaiado, completamente sozinho?
Enquanto isso, lá na sede da fazenda, Fiorela olhava distraidamente para o seu reflexo na água de uma poça formada pela chuva da noite anterior.
A jovem galinha lustrava suas penas, ajeitava sua plumagem macia da melhor maneira possível, pois tinha uma imagem a zelar. Ela sabia que tinha um extenso número de admiradores. Bem, se a lista era extensa, não sei. Mas sabemos que pelo menos dois galos ali, disputavam sua atenção incansavelmente.
Romualdo, o galo fortão, fazia seu treino de musculação para manter seus músculos impecáveis. De repente, um pensamento lhe veio à mente: “Ué… isso aqui está calmo demais hoje! Faz tempo que eu não vejo o Bartimeu. Ele não é de sumir assim… onde será que ele foi se meter?”
E com essa dúvida em mente, Romualdo passou a procurar Bartimeu pela fazenda.
_ Olá, dona Pata, a senhora viu o galo Bartimeu passar por aqui?
_ Olá, Romualdo! Não… não o vejo faz um bom tempo!
_ Está bem, obrigado!
E Romualdo continuou procurando.
_ Com licença, senhor Porcão, o senhor viu o galo Bartimeu hoje? Saberia me dizer onde ele está?
_ Ora, faça-me o favor!!! Agora eu virei babá de galo, por acaso? Não sei nem quero saber. Da minha vida, cuido eu. Quanto à vida dos outros, não me interessa!
_ Nossa! Quanto mau humor! Por acaso te fiz algum mal? Não precisa responder desse jeito. Era só falar que não sabe onde ele está!
_ Ah, não me enche! Já perguntou o que queria, agora, fora daqui! Não gosto de ninguém invadindo meu chiqueiro. Anda, vaza daqui!
“Nossa, por que será que o senhor Porcão anda tão estressado? Ele está precisando refrescar a cabeça, espairecer, tomar um banho gelado pra curar o azedume!” – pensou Romualdo – peraí. Banho gelado? Será que não foi isso que o Bartimeu foi fazer? Ele vive indo à cachoeira pra se refrescar nos dias quentes e hoje está fazendo um calor escaldante! Vou lá conferir se o galinho fracote não desceu para lá.” E pensando nisto, Romualdo pegou a trilha que vai para a cachoeira.
Na hora da ração da tarde, estavam todos reunidos perto do celeiro, cada animal esperando por sua porção de alimento, água e ração, tudo devidamente balanceado e recomendado pelo veterinário da fazenda.
Estavam todos nesse alvoroço animado, quando dona Pata ergue a cabeça e anuncia o que estava vendo de longe, lá por onde começava a trilha:
_ Vejam só! É o galo Bartimeu que vem ali, carregado pelo galo Romualdo! O que será que aconteceu com ele? Será que foi aquele brutamontes quem o machucou???
Ouvindo isso, Fiorela gritou desesperada:
_ Alguém machucou o Bartimeu? Oh, não! Como isso foi acontecer? Coitadinho do meu galinho! Ele nunca fez mal a ninguém, quem será que fez isso com ele???

Capítulo III – Amor em queda livre

O veterinário da fazenda que estava ali por perto pois naquele dia ele iria aplicar vacinas e acompanhar algumas vacas que estavam prestes a parir, observando que Bartimeu estava ferido, correu logo ao encontro dele e começou a examiná-lo.
Bartimeu ainda estava inconsciente, mas respirava sem dificuldade. Ele tinha alguns esfolados pelo corpo, algumas penas arrancadas e, como caiu de mau jeito, machucou a asa direita.
O veterinário aplicou alguns remédios, cuidou das feridas, enfaixou sua asa, e colocou Bartimeu em repouso dentro do galinheiro; num lugar bem limpinho e aconchegante – uma caixa cheia de palha nova.
Assim que o veterinário saiu do galinheiro, Fiorela se postou à frente do “leito” onde Bartimeu se recuperava e começou a chorar baixinho:
_ Oh, céus! Por que isso foi acontecer? O que será do meu doce galinho? Ele precisa sair dessa! Eu não posso viver sem ele!!!! Oh, céus!!!! – e dizendo isso, se debulhou em lágrimas e lamentações.
Romualdo observando a cena, ficou chocado com o que tinha visto e ouvido:
_ “Meu galinho”? “Não posso viver sem ele”??? – Como assim??? Eu que salvei esse galo mequetrefe. Eu que fui lá e o resgatei. Eu sou o herói aqui! O herói valente, corajoso e bonitão. Era pra essa gatinha, quer dizer, galinha, estar se declarando pra mim e não pra ele!!! Eu é que mereço elogios e declarações apaixonadas!!!
Clemente, o cavalo amigo de Bartimeu, observava a tudo atentamente:
_ Esse Bartimeu é um grande fanfarrão! Está lá desmaiado, sem nem imaginar o alvoroço que está causando aqui no galinheiro. Isso está parecendo mais uma novela mexicana, cheia de drama, lágrimas e confusão – Clemente refletia de si para si mesmo, se deleitando com todo aquele “trelelê” provocado involuntariamente pelo amigo.
Lentamente, Bartimeu começou a despertar. E a primeira imagem que ele enxergou quando abriu os olhos foi o rosto da doce Fiorela, que não saiu um minuto de perto de seu amado!
_ Oh, Bartimeu! Você finalmente acordou! Você está bem?
_ Anh? É…eu… ai! Fiorela? Como vim parar aqui?
_ Você foi encontrado desmaiado e ferido, meu querido! Lá no pé da cachoeira. Mas agora está tudo bem. Você está a salvo!
_ Cachoeira? – disse Bartimeu ainda um pouco confuso – Ah, é isso! Eu estava na cachoeira. A última coisa de que me lembro é que eu estava prestes a alcançar aquela orquídea roxa quando eu escorreguei e caí lá do alto, numa fração de segundos. Depois disso, não me lembro de mais nada!
_ Orquídea roxa? – perguntou Fiorela.
_ Sim, aquela orquídea linda e rara que nasce lá no alto do paredão. Eu a vi quando estava me refrescando na cachoeira e naquele mesmo instante, fiquei obcecado por ela. Eu precisava alcançá-la e trazê-la para você.
_ Pra mim???
_ Sim! Foi por isso que eu escalei o paredão. Eu queria te dar aquela flor. Eu sabia que você iria se encantar por ela.
_ Ah, que coisa mais linda! Nem sei o que dizer! Você correu esse risco todo por minha causa, só para me presentear??? Eu mal posso acreditar, nem sei o que dizer!
_ Eu sei o que você pode dizer. Diga “Sim!”
_ Anh? Não entendi.
_ Diga, “sim”. Diga que aceita ser minha namorada. Eu sou completamente, loucamente, inteiramente apaixonado por você, minha doce Fiorela! Desde o primeiro dia em que te vi, não consigo pensar em mais nada, em mais ninguém. Diga que você aceita ser minha namorada pra sempre!
_ Sim, sim!!! Mil vezes sim!!! É claro que eu aceito ser sua namorada!!!
O galinheiro todo explodiu em palmas e gritos de comemoração. Parecia fim de série coreana. Só faltou cair uma chuva torrencial enquanto os pombinhos (nesse caso, galo e galinha) se beijavam (ou se bicavam) apaixonadamente.

Capítulo III – Amor em queda livre

O clima no galinheiro era de paz, amor e borboletas pelo ar. Mas o recém-formado casal, mal poderia imaginar o que viria pela frente… é… a vida pode ser surpreendente. E o destino, feroz e implacável.

Se você quer saber o que vai acontecer, aguarde as cenas do próximo capítulo…

Por Bia Borges

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