_ Pronto, crianças – disse a professora – guardem os cadernos. Vamos começar agora a confeccionar os cartões do Dia das Mães. Quero ver tudo bem bonito, hein? Caprichem nesses cartões!
“O quê? Já chegou o Dia das Mães?” – pensou Daniel. “Preciso pensar no que vou dar de presente para a mamãe… mas como vou comprar alguma coisa se não tenho dinheiro nenhum?”
Quando o sinal da última aula tocou, Daniel correu para casa o mais rápido que pôde. Queria criar um plano para fazer alguma surpresa para a sua mãe. E tinha poucos dias para resolver isso. Pouco tempo e zero dinheiro.
“E se eu pedir para o vovô? Tenho certeza de que ele vai me ajudar!”.
O vovô Zequinha era um senhor já aposentado, tranquilo e bonachão. Gostava de se sentar num banco da praça do centro da cidade e passar a tarde toda conversando enquanto vendia seus doces. Há quem diga que ele gostava mais de conversar do que de vender.
Daniel se apressou para chegar na casa de seu avô antes do horário dele ir para a praça. Instantes depois, na cozinha da casa do Vovô Zequinha…
_ Pôxa, Daniel… eu gostaria muito de ajudar. Você sabe que o vovô e a vovó sempre te ajudam. Mas o problema é que justo este mês também estamos bem apertados. Sua avó precisou comprar uns remédios bem caros e eu tive que trocar dois pneus do meu carro “velho de guerra”. Se não fosse isso eu te ajudaria com todo prazer.
_ Eu entendo, vovô – disse Daniel com tristeza – eu sei que as coisas não estão fáceis pra ninguém. Vou pensar em outra maneira de conseguir esse dinheiro para o presente da mamãe.
_ Vou torcer por você, meu filho.
_ Tá bom, vovô. Obrigado. Agora já vou indo, não quero te atrasar mais.
_ Espera! Tive uma ideia! – Disse o avô – eu tenho aqui um vale-alimentação que o seu tio deixa comigo para fazermos as compras de mercado.
_ Mas, vovô, com todo o respeito, o que eu vou fazer com um vale-alimentação? Não quero dar um quilo de arroz ou um pacote de feijão para a mamãe. Queria dar um presente bonito ou fazer alguma surpresa pra ela.
_ Eu sei, menino! – disse o avô sorrindo. Me escute: que tal você fazer um belo almoço surpresa pra ela no Dia das Mães? Tenho certeza de que ela vai adorar. Você pode ir ao mercado, comprar as coisas que ela mais gosta, fazer um prato bem especial e ainda enfeitar a mesa com flores que também vendem no mercado. O que você acha? Até eu já estou ficando com vontade de participar desse banquete!
_ Uaaau! Que ideia maravilhosa, vovô!!! Muito obrigado! É exatamente isso que eu vou fazer! Você é o melhor avô do mundo!
Daniel deu um abraço apertado no avô e saiu em disparada para o mercado, o coração saltando de alegria. Finalmente, ele faria a tão sonhada surpresa para a mãe.
O segundo domingo do mês de Maio chegou e na casa de Daniel os preparativos estavam a todo vapor. Vovó Teresa e Vovô Zequinha tinham entrado no esquema. Ligaram bem cedo para a mãe de Daniel pedindo um favor. Pediram para ela ir com eles à feira e em outros inúmeros lugares – tudo para dar tempo de Daniel e seu pai fazerem o almoço especial.
Enquanto isso, na cozinha, papai e Daniel trabalhavam em equipe para que tudo saísse conforme o esperado. O problema é que esta “equipe” não tinha nenhum treinamento prévio.
O pai demorou um tempão tentando ligar o forno para assar o frango que Daniel trouxe do mercado. Daniel estava tentando fazer uma salada com tudo o que ele conhecia de legumes e verduras.
_ Daniel, você sabe onde sua mãe guarda o espremedor de laranja?
_ Ih, pai! Não faço a menor ideia. Já olhou embaixo da pia?
_ Já. Só achei um monte de panelas.
_ Pai, por que será que a cenoura que eu ralei ficou tão escura? A da mamãe não fica assim.
_ Ué… não sei. Você tirou a casca antes?
_ Casca? Cenoura não tem casca, pai!
_ Tem sim, meu filho. Sua mãe sempre usa um negócio pra raspar a casca. Já vi algumas vezes.
_ Ah, tá. Agora já foi. Não vou jogar esse tanto de cenoura fora. Se a mamãe ficar sabendo que desperdicei comida, ela vai ficar é brava comigo.
_ E se a gente fizer um suco?
_ Suco de cenoura, pai?
_ Sim, ué. A gente mistura com laranja, bate tudo junto, ninguém vai nem perceber. Já que eu não achei o espremedor, vamos bater tudo no liquidificador e depois coar. Depois é só tacar açúcar e gelo que ninguém vai perceber nada.
_ Ah… tá bom. Pode ser. Mas você sabe onde ela guarda a peneira pra coar o suco?
_ Ih…. sei não, meu filho! Qualquer coisa a gente coa no filtro de café.
_ E será que dá certo?
_ Isso nós vamos descobrir hoje.
Os dois se olharam e caíram na gargalhada. Apesar da tensão que Daniel estava sentindo por não saber se aquele almoço ia dar certo, estava gostando muito de passar um tempo especial com seu pai.
Algumas horas se passaram e o almoço finalmente ficou pronto. Daniel mandou uma mensagem ao avô comunicando que podiam vir com a mãe dele.
A mesa estava enfeitada com uma linda toalha e um vaso de flores coloridas. Ouviu-se um barulho no portão. Era a mãe chegando. O coração de Daniel acelerou.
_ SURPRESA!!!! – gritaram Daniel e seu pai.
_ Oh, o que é isso? Vocês fizeram o almoço pra mim? Não estou acreditando!!!
_ Pois pode acreditar – disse Daniel. E fizemos o seu prato preferido: frango assado com batatas!
E dizendo isso, o pai abriu a porta do forno e retirou a forma com o frango e as batatas. Quer dizer, ele achava que tinha assado as batatas, mas ele havia esquecido de colocá-las no forno junto com o frango.
_ Ah, não! Não acredito que esqueci as batatas!!!
_ Tudo bem, meu amor, eu coloco agora na fritadeira elétrica. Rapidinho ficarão prontas.
O pai de Daniel deu um suspiro de decepção e abaixou a cabeça.
_ Tudo bem, papai, coloca o frango aqui na mesa, vamos pedir pra vovó cortar os pedaços. Ela é especialista nisso.
A avó prontamente pegou uma faca e começou a cortar o frango.
_ Mas que cheiro horrível de plástico é esse, gente? E o que é isso saindo de dentro do frango?
_ Ih… é o plástico com os miúdos dentro do frango – disse o avô.
_ Miúdos? Plástico? Nem sabia que tinha isso dentro do frango, vovô!
_ Tem sim, meu filho. São os órgãos do frango. Eles deixam aí porque algumas pessoas gostam de comer. Mas tem que retirar de dentro do frango e cozinhar separado.
_ Oh, não!!! Nós estragamos tudo! – disse Daniel levando as mãos ao rosto e tentando segurar o choro.
_ Não se preocupe, meu filho – disse o avô. Eu imaginei que algo poderia dar errado e já pensei num plano B. Nós compramos um frango assado no caminho. Está lá no carro. Vou buscar.
_ Me desculpe, mamãe! Tudo que eu queria era fazer um almoço especial para você. Eu queria que fosse uma linda surpresa.
_ Mas eu amei, meu filho. Está sendo uma linda surpresa. Sei que você e seu pai se esforçaram muito para que tudo isso acontecesse. Estou me sentindo muito amada. Não imaginava ganhar esse presente!
_ E vai dar tudo certo, meu amor – disse a avó. Seu avô trouxe o frango, as batatas já estão ficando prontas. Nós vamos aproveitar o arroz, o suco e a salada que vocês fizeram com tanto carinho.
_ Isso mesmo! Disse a mãe. Sem contar que a mesa está linda. Eu amei a decoração!
_ Ah, mamãe! Eu te amo muito! E obrigado, pai, vovô e vovó, por embarcarem nessa comigo. Nossa família é muito especial. É a melhor do mundo.
Aquele foi um dos almoços mais especiais que tiveram. Apesar do arroz estar meio crocante (alguns grãos não estavam bem cozidos), o suco mal coado e a salada com uma combinação inusitada, o que reinava ali era o amor.
_ E por último, a sobremesa. Não fui eu que fiz, mas escolhi seu sabor preferido de sorvete, mamãe: passas ao rum!
_ Você acertou em cheio, meu filho! Este é o melhor almoço da minha vida! Muito obrigada por tudo. Eu fiquei muito, muito feliz.
_ Mas, pelo amor de Deus – disse a avó – depois que terminarmos de comer, vamos limpar esta bagunça. A mesa está linda. Mas olhem em volta da cozinha. Como vocês conseguiram sujar tanta coisa cozinhando para apenas cinco pessoas?
Todos caíram na gargalhada.
_ Pode deixar, vovó. Da próxima vez vou fazer menos bagunça. Sou um cozinheiro em treinamento!
E assim terminou mais um lindo domingo em família.
Feliz Dia das Mães!
