quinta-feira, 30 de abril de 2026

A parceria entre a Escola Estadual Indígena Mbo’eroy Guarani Kaiowá, o PIBID (UFGD) e o IFMS fortalece a disciplina de Agroecologia e valoriza práticas agrícolas sustentáveis nas comunidades indígenas Guarani e Kaiowá no município de Amambai/MS

Nós, acadêmicos indígenas do PIBID, reconhecemos que a disciplina de Agroecologia, especialmente no estudo dos fundamentos da agricultura orgânica, possui grande importância dentro das escolas e comunidades indígenas. Essa área do conhecimento vai além da produção de alimentos: ela representa cuidado com a terra, respeito à natureza, valorização da cultura e fortalecimento da autonomia das famílias.

A agroecologia promove uma forma de cultivo sustentável, baseada no respeito ao solo, à água, à biodiversidade e aos ciclos naturais da vida. Produzir sem o uso excessivo de agrotóxicos significa garantir alimentos mais saudáveis para a população e preservar o meio ambiente para as futuras gerações. Essa prática fortalece a Soberania Alimentar1 e contribui diretamente para a saúde da comunidade.

Nas aldeias, a agroecologia também atua como uma ponte entre o conhecimento científico e os saberes tradicionais transmitidos pelos mais velhos. Nossos povos sempre cultivaram a terra com respeito e responsabilidade, preservando sementes, protegendo nascentes e utilizando os recursos naturais de forma equilibrada. A escola, ao trabalhar essa disciplina, reforça esses ensinamentos e transforma a realidade local em objeto de estudo e aprendizagem.

A presença da Agroecologia no ambiente escolar permite que os estudantes aprendam de forma prática e dinâmica, por meio de hortas escolares, manejo do solo, compostagem, conservação da água e proteção da mata ciliar. O aluno passa a compreender, na prática, o ciclo da matéria orgânica, a importância da biodiversidade e a necessidade de preservar o patrimônio natural da aldeia.

Além disso, essa disciplina incentiva o protagonismo juvenil, despertando nos estudantes o interesse pela agricultura familiar e pela permanência no campo. Ao entenderem que é possível produzir com sustentabilidade, gerar renda e fortalecer a comunidade, os jovens passam a valorizar ainda mais sua cultura, suas tradições e sua identidade indígena.

A agroecologia também ajuda na adaptação às mudanças climáticas, tornando a produção mais resistente e segura diante dos desafios ambientais. Ela garante sustentabilidade a longo prazo, sem comprometer as condições das futuras gerações de continuarem produzindo e vivendo com dignidade em seus territórios.

Por isso, defendemos que a disciplina de Agroecologia seja cada vez mais fortalecida nas escolas indígenas. Ela não é apenas uma matéria curricular, mas um verdadeiro instrumento de resistência, sobrevivência e valorização cultural. Ensinar agricultura orgânica em nossas comunidades é preservar a vida, proteger a biodiversidade e garantir um futuro melhor para todos.

Aproveitamos também para agradecer aos parceiros envolvidos na produção da horta escolar e no fortalecimento das ações de Agroecologia na comunidade: ao professor da disciplina, Zenaldo Moreira; ao professor do IFMS, Antonio Luiz Viegas Neto; ao Supervisor do PIBID – Subprojeto Educação do Campo, Geovani Hoffmann de Oliveira; à Coordenadora do PIBID, Diane Cristina Araújo Domingos da Conceição; e aos Id’s do PIBID, Carlin Ribeiro, Jaceara Romero, Maia Domingues e Angela Jaqueline Gonçalves Karkle, que contribuem diretamente para o desenvolvimento das atividades e para a valorização da educação indígena.

1Opta-se pelo termo Soberania Alimentar em oposição a Segurança Alimentar por se tratar de comunidades do campo, das florestas e das águas, no qual os movimentos sociais participam das tomadas de decisões.

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