Paralisação já atinge mais de 50 instituições e envolve reivindicações salariais, orçamentárias e cumprimento de acordos
A greve nas universidades e institutos federais ganhou novos contornos nas últimas semanas e já atinge mais de 50 instituições em todo o país, com impacto direto em cerca de 150 campi. O movimento, liderado por servidores técnico-administrativos ligados à Fasubra – Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil, cobra o cumprimento integral de acordos firmados com o governo federal em 2024.
A paralisação, que já ultrapassa 50 dias em algumas instituições, afeta atividades acadêmicas e administrativas, gerando preocupação entre estudantes, professores e gestores. Em meio ao impasse, os trabalhadores acusam o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de descumprir compromissos assumidos anteriormente.

Segundo a Fasubra, dos 16 pontos previstos nos acordos, apenas parte foi efetivamente implementada. A principal reivindicação neste momento é a reabertura de uma mesa permanente de negociação, que permita avançar nas pautas pendentes, especialmente relacionadas à reestruturação de carreira e recomposição salarial.
A adesão à greve, no entanto, não é uniforme em todo o país. Instituições como a UFRJ e a Unifesp registram paralisação significativa, enquanto em alguns estados, como o Ceará, não houve interrupção das atividades. Já em outras universidades, como a UFRN, apenas parte dos servidores aderiu ao movimento.
Em Mato Grosso do Sul, o cenário também reflete a mobilização nacional. Servidores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) seguem em greve desde março, e em abril de 2026 já ultrapassavam 40 dias de paralisação. Na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), técnicos administrativos, juntamente com trabalhadores do Hospital Universitário (HU-UFGD), anunciaram adesão à paralisação nacional ainda em março e decretaram estado de greve por tempo indeterminado, reforçando o movimento na região.
Além das questões trabalhistas, o cenário é agravado por fatores orçamentários. Para 2026, as universidades federais enfrentaram um corte de R$ 488 milhões, com o orçamento discricionário passando de R$ 6,89 bilhões para R$ 6,43 bilhões. Em contrapartida, houve aumento no volume de emendas parlamentares, o que também entra no debate sobre a forma de financiamento da educação superior.
O Ministério da Educação afirma que os compromissos estão sendo cumpridos ou já se encontram em fase de execução. A pasta também destaca a manutenção do diálogo com a categoria, citando reuniões recentes realizadas em Brasília.
A mobilização ocorre em um momento politicamente sensível, a poucos meses das eleições, e envolve uma base sindical historicamente alinhada ao governo. O desfecho da greve pode ter reflexos não apenas no funcionamento das instituições, mas também no debate público sobre investimento em educação e valorização dos servidores.
