Em parceria com a SEDESC, projeto reúne 35 meninas e alia a prática esportiva ao compromisso com os estudos e ao incentivo das famílias
Na escolinha de futsal feminino do Instituto Eduardo Dutra Lescano, aprender a jogar também envolve compromisso com os estudos, amizades e confiança para enfrentar novos desafios. A proposta começou há três anos, com nove meninas e um nome que traduz essa combinação: “Bom de Bola, Bom na Escola”.
Hoje, são 35 participantes, de 8 a 15 anos, sob a orientação da treinadora Mariely Roque da Silva. Os treinos acontecem duas vezes por semana e, desde este ano, o projeto conta com a parceria da SEDESC. Para continuar na equipe, é preciso manter boas notas, um compromisso acompanhado pela treinadora e pelas famílias.


Muitas meninas chegaram sem experiência, trazendo apenas a vontade de jogar. Agora, parte da turma se prepara para uma novidade: o primeiro campeonato fora da cidade, que acontece em novembro, em Ponta Porã, destinado a atletas de até 12 anos.
“Elas estão muito ansiosas. Tem mãe que fala que a filha nem está dormindo”, conta Mariely.
A competição será uma oportunidade de colocar o aprendizado à prova e conhecer outras emoções: ouvir a torcida, lidar com a pressão e reagir quando a partida não acontece como o esperado. “Jogar no treino é uma coisa. Ir para uma competição é outra”, observa a treinadora.
Mariely vê potencial nas alunas, mas aponta a falta de campeonatos femininos de base na região como um obstáculo. Sem equipes da mesma faixa etária por perto, até organizar jogos para ganhar experiência se torna difícil. Ela também gostaria de aproximar as meninas de oportunidades de avaliação com profissionais da modalidade. “Temos meninas muito boas”, afirma.
Confiança e novas amizades
Paolla Denis, de 11 anos, está no projeto há dois. O gosto pelo futsal começou em casa: “Meu pai que me ensinou a jogar”. Quando a mãe soube de uma vaga na escolinha, veio a oportunidade de aprender mais.
Aluna do 6º ano, Paolla conta que ganhou confiança para jogar também com os meninos e reconhece que a disciplina dos treinos ajuda na escola. Com o apoio da família, quer continuar no esporte e tem uma inspiração especial: Marta, referência da seleção brasileira feminina.
Já Maria Isadora Lima Toledo, de 12 anos, participa desde o início do projeto. Incentivada pelo pai, descobriu aos poucos o prazer de jogar. Hoje, aproveita os treinos, quer participar de campeonatos e comemora as amizades construídas na equipe.
Para as meninas que gostariam de começar, ela aconselha: “Não tenha vergonha, porque, quando eu comecei a jogar bola, não conhecia ninguém. Hoje em dia, conheço todo mundo, converso com todo mundo”.
Maria Isadora também já sentiu o nervosismo de jogar diante do público. Os gritos da torcida e a pressão da partida dão um frio na barriga, mas, em um torneio recente, ela foi ganhando confiança e marcou dois gols. Experiências assim ajudam a lidar com as emoções do jogo e mostram a importância das competições como complemento aos treinos. Para o futuro, seus sonhos vão além das quadras: ela também pretende cursar Agronomia.

Uma torcida que começa em casa
À beira da quadra, a mãe, Makerley do Nascimento Lima, e o pai, Rodrigo Toledo Rosa, acompanham o treino de Maria Isadora. Presentes na rotina da filha, são seus maiores incentivadores.
Foi Rodrigo quem deu o primeiro empurrão para que ela experimentasse o futsal. Hoje, os pais percebem avanços na socialização e na disciplina, cobram responsabilidade com os estudos e apoiam as oportunidades que começam a surgir.
Segundo Makerley, um ex-professor da Chapecoense esteve em Amambai, percebeu o talento de Maria Isadora e a convidou para fazer um teste em Santa Catarina. A família aguarda uma oportunidade para organizar a viagem e acompanhar a filha nessa experiência.
Embora Maria Isadora ainda não pense no futsal como profissão, sabe que pode contar com os pais para conhecer novos caminhos no esporte.

Esse incentivo faz diferença, especialmente em uma modalidade na qual ainda há meninas que enfrentam resistência dentro de casa. Mariely relata que o preconceito de que futebol não é coisa de menina já afastou participantes dos treinos.
“O apoio da família é essencial”, reforça.
Entre a dedicação nos estudos, as descobertas em quadra e a torcida de quem acompanha cada passo, as meninas vão aprendendo que há espaço para elas no esporte. E, para quem deseja começar, a treinadora deixa um conselho: “Corram atrás dos seus sonhos.”


Por Patrícia Rocha
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