Você sabia que a Rua Theodoro Jurgielewicz, em Amambai, recebeu esse nome em homenagem a uma pessoa que ajudou a construir a história da cidade?
Theodoro era conhecido por todos como Dorico. Ele nasceu no Paraná, em 4 de junho de 1894, e chegou à região quando Amambai ainda era chamada de Patrimônio da União.
Dorico era trabalhador, corajoso e gostava de aprender. Antes de vir para cá, trabalhou na construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil e aprendeu topografia, atividade utilizada para medir e conhecer os terrenos.
Ao chegar ao Patrimônio da União, começou a trabalhar no comércio. Naquela época, os pequenos armazéns eram chamados de bolichos. Neles, as pessoas encontravam alimentos, ferramentas e outros produtos necessários para o dia a dia.
Dorico construiu o prédio de seu bolicho na esquina da Avenida Pedro Manvailler com a Rua General Câmara. Foi uma das primeiras construções de alvenaria de Amambai. O prédio permanece no mesmo local e hoje abriga a Farmácia do Édson.
O bolicho atendia moradores da cidade e das fazendas. Como Amambai ainda não tinha banco, Dorico guardava no cofre do estabelecimento o dinheiro dos fazendeiros da região. Isso era possível porque todos confiavam em sua honestidade e em sua palavra.
Também não havia médico na localidade. Para ajudar a população, Dorico montou uma pequena farmácia, aplicava injeções e chegava a realizar partos. Ele também capturava cobras e as enviava ao Instituto Butantan. Em troca, recebia o soro antiofídico, usado para salvar pessoas picadas por serpentes.
Dorico trabalhou ainda com a produção e a venda de erva-mate, atividade muito importante para o crescimento da região.
Em 1928, casou-se com Rosa, filha de Pedro Manvailler. O casal teve filhos, mas Rosa faleceu em 1932, durante o nascimento da filha Neusa. Depois disso, Lydia, irmã de Dorico, ajudou a cuidar das crianças.
Pensando nos estudos dos filhos, Dorico mudou-se para Campo Grande em 1938. Mesmo morando longe, continuou trabalhando com a erva-mate e viajando frequentemente para a região de Amambai.
Em uma dessas viagens, sofreu um acidente enquanto andava a cavalo. Dorico faleceu em 13 de outubro de 1941. Sua morte deixou a população muito triste, pois ele era considerado um grande amigo, guia e conselheiro.
Muitos anos depois, a cidade decidiu homenageá-lo. Em 26 de maio de 1997, por meio da Lei Municipal nº 1.474/97, a antiga Rua dos Estados passou a se chamar Rua Theodoro Jurgielewicz.
Assim, sempre que alguém passa por essa rua, também passa por um pedacinho da história de Amambai. Seu nome nos ajuda a lembrar de Dorico, um homem que trabalhou, cuidou das pessoas e contribuiu para o crescimento da cidade.
As informações desta matéria foram retiradas do livro Dorico, um bravo lutador, de Hélio Serejo. A obra e as fotografias antigas utilizadas para contar esta história fazem parte do acervo do Museu Municipal de Amambai.
