sábado, 17 de outubro de 2026

Theodoro Jurgielewicz: a história do homem que virou nome de rua

Você sabia que a Rua Theodoro Jurgielewicz, em Amambai, recebeu esse nome em homenagem a uma pessoa que ajudou a construir a história da cidade?

Theodoro era conhecido por todos como Dorico. Ele nasceu no Paraná, em 4 de junho de 1894, e chegou à região quando Amambai ainda era chamada de Patrimônio da União.

Dorico era trabalhador, corajoso e gostava de aprender. Antes de vir para cá, trabalhou na construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil e aprendeu topografia, atividade utilizada para medir e conhecer os terrenos.

Ao chegar ao Patrimônio da União, começou a trabalhar no comércio. Naquela época, os pequenos armazéns eram chamados de bolichos. Neles, as pessoas encontravam alimentos, ferramentas e outros produtos necessários para o dia a dia.

Theodoro Jurgielewicz: a história do homem que virou nome de rua
Foto: Reprodução/Dorico, um bravo lutador — Acervo do Museu José Alves Cavalheiro

Dorico construiu o prédio de seu bolicho na esquina da Avenida Pedro Manvailler com a Rua General Câmara. Foi uma das primeiras construções de alvenaria de Amambai. O prédio permanece no mesmo local e hoje abriga a Farmácia do Edson.

Theodoro Jurgielewicz: a história do homem que virou nome de rua
Foto: Reprodução/Dorico, um bravo lutador — Acervo do Museu José Alves Cavalheiro
Theodoro Jurgielewicz: a história do homem que virou nome de rua
O prédio construído por Theodoro, hoje abriga a Farmácia do Edson

O bolicho atendia moradores da cidade e das fazendas. Como Amambai ainda não tinha banco, Dorico guardava no cofre do estabelecimento o dinheiro dos fazendeiros da região. Isso era possível porque todos confiavam em sua honestidade e em sua palavra.

Também não havia médico na localidade. Para ajudar a população, Dorico montou uma pequena farmácia, aplicava injeções e chegava a realizar partos. Ele também capturava cobras e as enviava ao Instituto Butantan. Em troca, recebia o soro antiofídico, usado para salvar pessoas picadas por serpentes.

Dorico trabalhou ainda com a produção e a venda de erva-mate, atividade muito importante para o crescimento da região.

Em 1928, casou-se com Rosa, filha de Pedro Manvailler. O casal teve filhos, mas Rosa faleceu em 1932, durante o nascimento da filha Neusa. Depois disso, Lydia, irmã de Dorico, ajudou a cuidar das crianças.

Pensando nos estudos dos filhos, Dorico mudou-se para Campo Grande em 1938. Mesmo morando longe, continuou trabalhando com a erva-mate e viajando frequentemente para a região de Amambai.

Em uma dessas viagens, sofreu um acidente enquanto andava a cavalo. Dorico faleceu em 13 de outubro de 1941. Sua morte deixou a população muito triste, pois ele era considerado um grande amigo, guia e conselheiro.

Muitos anos depois, a cidade decidiu homenageá-lo. Em 26 de maio de 1997, por meio da Lei Municipal nº 1.474/97, a antiga Rua dos Estados passou a se chamar Rua Theodoro Jurgielewicz.

Theodoro Jurgielewicz: a história do homem que virou nome de rua
Rua Theodoro Jurgielewicz, no Centro de Amambai

Assim, sempre que alguém passa por essa rua, também passa por um pedacinho da história de Amambai. Seu nome nos ajuda a lembrar de Dorico, um homem que trabalhou, cuidou das pessoas e contribuiu para o crescimento da cidade.

Theodoro Jurgielewicz: a história do homem que virou nome de rua
Em Amambai, Dorico manteve uma casa comercial, conhecida como bolicho, e uma farmácia, tornando-se uma importante referência para a população. Além de vender mercadorias e medicamentos, aplicava injeções, fazia curativos e até realizava partos. Em uma de suas viagens, conheceu o Instituto Butantan e firmou um acordo para capturar e enviar cobras em troca de soro antiofídico, utilizado para salvar muitas vidas na região. Como ainda não havia banco na cidade, os fazendeiros confiavam a ele seu dinheiro, que era guardado no cofre do estabelecimento. Dorico também se destacou como um dos maiores produtores de erva-mate da região. Com coragem, trabalho, conhecimento e espírito comunitário, prestou serviços essenciais à população e deixou uma importante contribuição para o desenvolvimento de Amambai

As informações desta matéria foram retiradas do livro Dorico, um bravo lutador, de Hélio Serejo. A obra e as fotografias antigas utilizadas para contar esta história fazem parte do acervo do Museu de Amambai.

Por Patrícia Rocha
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