No capítulo anterior, Bartimeu e Fiorela tinham passado seu primeiro dia na feira anual de exposições quando, ao acordar, Bartimeu notou algo aterrorizante: Fiorela havia desaparecido.
Bartimeu então começou a gritar desesperadamente. Sua inquietação acabou chamando a atenção do fazendeiro, que correu para verificar o que estava acontecendo.

_ Santo Deus!!! – Gritou o fazendeiro – A Fiorela sumiu!!! Avisem os guardas da feira! Ninguém entra e ninguém sai, até minha galinha aparecer!!!
A tensão tomou conta do lugar. A notícia começou a se espalhar como um rastro de pólvora. Todos os criadores e seus ajudantes ficaram muito preocupados com aquela situação. Afinal, se um animal desapareceu, mesmo com tanta vigilância, outros animais poderiam desaparecer também.
Os organizadores da feira chamaram a polícia para investigar o caso e fazer um boletim de ocorrência. O policial responsável chegou rapidamente ao local.
_ Bom dia, senhor Crispim! Tudo bem?
_ Bom dia! Não estou nada bem, infelizmente. Como o senhor já deve estar sabendo, a minha galinha mais valiosa sumiu.
_ Estou sabendo, sim. O senhor pode me dizer qual foi a última vez que a viu?

_ Foi ontem à noite. Quando todo o público foi embora e ficaram só os criadores, eu vim aqui me certificar de que estava tudo bem e checar como estavam os meus animais. Olhei um por um e estava tudo em ordem. Depois disso, fui para minha barraca dormir e quando acordei hoje cedo, ela já havia desaparecido.
_ Entendido – o policial respondeu enquanto anotava tudo em seu bloco de notas.
_ O senhor tem alguma pista? Será que posso ter esperanças de ter minha Fiorela de volta?
_ Olha, seu Crispim, vamos fazer de tudo para recuperá-la. Não posso prometer que ela vai voltar. Mas posso prometer que eu e minha equipe vamos dar o nosso melhor para que isso aconteça.
Enquanto isso, longe dali, Fiorela começava a despertar, muito tonta e confusa, em um lugar completamente desconhecido.
“Ai, minha cabeça! Anh? Que lugar é esse? Onde eu estou? Cadê o Bartimeu?”. A pobre galinha não estava entendendo nada. A última coisa de que se lembrava era de estar em sua baia e dar “boa noite” a Bartimeu, antes de adormecer profundamente. E agora ela acordou sozinha e em outro lugar.
Fiorela pensou estar sonhando ainda, mas quando sentiu um pingo d’água bem quente cair sobre sua pele, teve certeza de que estava bem acordada. Ela esfregou os olhos e deu uma boa olhada ao seu redor.
Parecia que estava em uma espécie de cozinha, pois via um fogão à lenha bem velho e sujo de fuligem de onde borbulhava um velho caldeirão de ferro cheio de um líquido quente e fedorento.
Perto deste fogão, estava ela. Presa em uma gaiola suspensa por uma corda que pendia do teto.
“Oh, meu Deus! O que eu estou fazendo aqui? Quem me trouxe para cá? O que será que vai acontecer comigo? Que brincadeira de mau gosto é essa?”
Lá fora uma velha senhora carrancuda, com um vestido escuro e muito gasto, afiava uma faca enorme em uma pedra áspera e pontiaguda. Ao seu lado, deitado sobre a sombra de uma mangueira, cochilava um gatinho malhado de branco e marrom, um tom quase de ferrugem.

A velha cantarolava uma estranha canção enquanto afiava a faca, totalmente concentrada no que estava fazendo.
Fiorela ouvia todos esses barulhos sem entender nada, e isso aumentava sua ansiedade. Um arrepio percorreu todo o seu corpo, arrepiando sua penugem. “Será que alguém vem me buscar? Será que já estão procurando por mim? Será que vão conseguir me encontrar?” A pobre galinha começava a se desesperar.
Enquanto isso, na feira, Bartimeu passou o dia todo ansioso. Não conseguiu comer, não conseguiu beber, não conseguiu fazer absolutamente nada. Seu pensamento era um só: Onde poderia estar sua amada Fiorela? Será que está bem? Será que foi roubada? Será que se perdeu? Ou, pior ainda, será que foi devorada por alguma fera cruel? Não, não, não! Ele nem podia pensar nessa possibilidade. Decidiu manter a positividade. “Eu preciso ter esperanças! Eu não posso me entregar! Eu preciso lutar pela minha doce amada!”
_ Boa tarde, seu Crispim!
_ Boa tarde, Tião – respondeu o fazendeiro, com o olhar triste e preocupado.
_ Fiquei sabendo do que houve com a sua galinha e decidi ajudar. Esse aqui é o Taiamã, um amigo meu. Ele mora naquela aldeia indígena que fica depois do Riacho Fundo, o senhor conhece?
_ Ah, sim, conheço sim. Mas como ele pode me ajudar? Por enquanto não temos pista nenhuma.
_ Mas é exatamente por isso, seu Crispim. O Taiamã é um indígena muito experiente na caça. Conhece todas essas florestas aqui ao redor como a palma da mão dele. Tenho certeza de que ele vai encontrar o rastro dessa galinha. Pode confiar.
_ Bom… não custa tentar, né? Pode falar pra ele procurar, sim. E se ele encontrar alguma coisa, será muito bem recompensado por isso.
_ Não se preocupe com isso, seu Crispim – disse Taiamã – estou fazendo isso para ajudar. E enquanto a gente conversava, já notei algumas coisas. Olha ali atrás da baia.
Todos olharam para a direção onde Taiamã apontou e viram rastros de pneu no barro. Eram marcas largas, como as de um triciclo motorizado. Elas seguiam em direção ao portão que dava acesso aos fundos do parque de exposições, o portão por onde somente os funcionários tinham acesso.
Taiamã correu para o portão. Estava trancado com um cadeado preso em uma corrente bem grossa.
_ Vejam só! – disse ele – Ali do lado de fora da grade!
Do outro lado do portão, no cantinho direito, quase encoberto pelas britas e pela terra, estavam 3 penas curtas e levemente douradas, exatamente iguais as penas de Fiorela.
_ É isso! – gritou seu Crispim – Foi exatamente por aqui que fugiram com ela. Essas penas são da minha Fiorela, tenho certeza disso!
Essa descoberta reacendeu um pouco da esperança no coração de todos ali presentes. Mas isso era apenas o começo. Ficou comprovado que Fiorela havia passado por aquele portão. Mas, e depois? Para onde ela foi? E o principal: quem havia roubado a pequena galinha? Essas perguntas atormentavam o coração de seu Crispim, mas, principalmente, do nosso querido galo Bartimeu.
Foi aí que ele tomou uma decisão: nosso bravo galinho esperou que todos voltassem para o acampamento da feira e o deixassem por uns minutos sem supervisão. Reunindo toda a coragem e amor que ele sentia por Fiorela, Bartimeu aproveitou a abertura do portão para a entrada de uma camionete dos funcionários da manutenção do parque, e fugiu.
Já do outro lado do portão, Bartimeu continuou seguindo o rastro deixado pelos pneus do triciclo, até que, ao chegar do outro lado da rodovia que passava nos fundos do parque, as marcas desapareciam.
Neste ponto, Bartimeu teria que tomar uma decisão. Ele seguiria em frente? Se sim, pra onde? Ele voltaria e desistiria da busca? Mas isso poderia custar a vida da doce Fiorela, que poderia estar em perigo.
Enquanto nosso bravo herói pensava sobre isso, sentiu um bafo quente eu seu pescoço, seguido de um rosnado. Atrás dele, um enorme cachorro o cercava.

E agora? Quem iria defender Bartimeu? O que será que vai acontecer? Seria o fim do galo apaixonado?
Aguarde as cenas dos próximos capítulos…
Por Bia Borges
