Atividade do Curso Técnico em Agricultura, em Amambai, coloca estudantes diante de diferentes sistemas produtivos e desafios de planejamento, gestão e tomada de decisão.
E se, em vez de apenas estudar como funciona uma propriedade rural, o estudante precisasse assumir o desafio de tomar decisões sobre ela? É essa a experiência que estudantes do Curso Técnico em Agricultura do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS), em Amambai, estão vivenciando ao longo deste semestre, durante as atividades do Projeto Integrador.
Os estudantes trabalham com situações-problema inspiradas em diferentes realidades do campo. Entre os casos estão produção de soja e milho, horticultura, fruticultura, mandioca, piscicultura, produção de chás e sistemas agroflorestais, entre outros sistemas produtivos.

A proposta integra conhecimentos das disciplinas de Agroecologia e Gestão Rural e Empreendedorismo. Assim, além de analisar os aspectos técnicos da produção, os estudantes precisam considerar planejamento, organização, custos, investimentos e tomada de decisões.
“Na realidade de uma propriedade, os problemas não aparecem separados por disciplina. A ideia é fazer com que os estudantes percebam essa relação e analisem a propriedade como um sistema, considerando os aspectos produtivos, ambientais e econômicos”, explica o professor Marcos Vinicius Hendges, responsável pela atividade.
Cada propriedade, um desafio
Os trabalhos estão sendo desenvolvidos a partir de diferentes situações e não têm uma resposta única. Cada grupo precisa pesquisar, discutir possibilidades, estabelecer prioridades e justificar suas decisões.
No caso desenvolvido por Joice e Gessikeli, o desafio envolve a compactação do solo. Para as estudantes, o problema não poderia ser analisado apenas pelo ponto de vista agronômico. Era necessário avaliar também a situação financeira da propriedade e a possibilidade de realizar investimentos.
Durante o trabalho, o grupo chegou à conclusão de que seria necessário reorganizar a propriedade antes de investir.
“A decisão foi se reorganizar para depois investir na propriedade.”
A situação também levou as estudantes a perceberem uma dificuldade que pode estar presente no cotidiano dos produtores: nem sempre é fácil identificar com clareza onde estão os gastos, os investimentos e os resultados da atividade rural.
Já Patrícia, Veronica e Liz Paola, que trabalham com um caso envolvendo soja e milho, destacam a aproximação da atividade com situações que podem ser encontradas no mercado de trabalho.
“Achamos interessante que podemos ver realmente como funciona na prática, como se estivéssemos trabalhando para uma empresa”, relatam.
Na piscicultura, as estudantes Mariane e Vagna também precisam analisar a propriedade de forma ampla. Para elas, a atividade se diferencia de uma aula tradicional por envolver pesquisa, interação e debates entre os grupos.
As estudantes também destacam que o projeto vem mostrando que o profissional precisa ter uma visão que vai além da produção, envolvendo organização financeira, mercado consumidor, investimentos e busca por soluções.
Quando as disciplinas se encontram
Para desenvolver os casos, os estudantes precisam mobilizar conhecimentos de diferentes áreas.
No trabalho sobre compactação do solo, Joice e Gessikeli destacam conteúdos de Solos, Climatologia e Agroecologia.
“Uma disciplina é ligada à outra: solo, clima e manejo de sistemas agrícolas sustentáveis.”
Outros grupos utilizam conhecimentos relacionados à produção vegetal, nutrição de plantas, sustentabilidade e gestão.
Segundo o Prof. Marcos, essa integração é justamente um dos objetivos da proposta.
“Na propriedade rural, uma decisão técnica também pode ser uma decisão econômica. O profissional precisa compreender as duas dimensões para avaliar as alternativas e ajudar o produtor a tomar decisões.”
Mais do que produzir
Ao longo do semestre, os estudantes vêm percebendo que o trabalho no campo envolve muito mais do que as técnicas de produção. É preciso compreender os objetivos da propriedade, identificar prioridades, avaliar investimentos, comunicar-se com o produtor e acompanhar o caminho da produção até o consumidor.

Enquanto um grupo analisa a compactação do solo, outro trabalha com grãos, e outros estudam situações envolvendo horticultura, fruticultura, mandioca, piscicultura, produção de chás e sistemas agroflorestais.
Cada caso apresenta desafios diferentes, mas todos têm em comum a necessidade de pesquisar, analisar, discutir e tomar decisões.
A experiência mostra uma das possibilidades da formação técnica no IFMS: transformar conhecimentos de diferentes áreas em situações nas quais o estudante precisa aplicar o que aprende e enfrentar problemas próximos daqueles que encontrará na vida profissional.
E, no decorrer das atividades, uma ideia vai ficando cada vez mais clara: na agricultura, saber produzir é apenas parte do trabalho.
