Pedro Henrique, que está na capa de 2010, revisita a própria trajetória e ajuda a mostrar como o jornal acompanha, ao longo dos anos, a caminhada, os sonhos e as conquistas de muitos alunos
Em 2010, Pedro Henrique era um dos alunos que tiveram a infância registrada pelas páginas da Gazeta Educação. Na época, era um menino vivendo o cotidiano da escola, entre colegas, descobertas e aprendizados. Dezesseis anos depois, aquela imagem ganha um novo significado: mais do que uma lembrança, ela se transforma em símbolo do tempo e da trajetória construída desde então.

Ao celebrar 22 anos de circulação, a Gazeta Educação relembra histórias que ajudam a mostrar sua missão ao longo do tempo: acompanhar de perto a vida escolar e preservar memórias que, anos mais tarde, revelam o quanto o tempo passou e quantas histórias floresceram.
Pedro guarda com carinho as lembranças da escola, especialmente pelas amizades que fez naquela época e que continuam presentes em sua vida: “Tenho boas recordações da escola, fiz muitas amizades, amigos que até hoje estão comigo.”
Com o passar dos anos, a vida começou a exigir mais maturidade. Ainda aos 13 anos, ele passou a trabalhar com o pai e o avô, ajudando na empresa da família. Foi ali que aprendeu valores que considera fundamentais em sua formação, como honestidade, responsabilidade e dedicação: “Com 13 anos trabalhei com meu pai e meu avô, ajudando na empresa da família. Por ali fiquei muito tempo, ganhando conhecimento, educação e muita honestidade.”
Depois de concluir a escola, Pedro decidiu cursar Agronomia, com o sonho de se tornar engenheiro agrônomo. No entanto, a necessidade de conciliar estudo e trabalho o levou a rever os planos. Sem conseguir manter a faculdade presencial, optou por seguir estudando de forma on-line. Hoje, trabalha em uma área de que gosta e se prepara para concluir a graduação em Agronegócio.
Ao revisitar a própria caminhada, ele reconhece que nem tudo aconteceu exatamente como imaginava na infância, mas valoriza tudo o que construiu até aqui. “Não tenho meu diploma ainda, mas tenho certeza que o diploma da vida eu conquistei.”
Pedro também destaca a importância da escola em sua formação e vê valor no trabalho da Gazeta Educação ao registrar e divulgar as histórias dos alunos e seus caminhos ao longo dos anos. Sua história, revisitada nesta edição comemorativa, ajuda a traduzir o que a Gazeta Educação representa há 22 anos: mais do que informar, o jornal se tornou um registro vivo da trajetória de milhares de alunos, guardando momentos que hoje fazem parte da memória de muitas famílias e comunidades.
Reencontrar Pedro Henrique na capa de 2010 é perceber que, enquanto o jornal contava a história da educação na região, também acompanhava a formação de vidas, identidades e sonhos.
Muito além da sala de aula
Rosilei Charão, professora de Pedro Henrique na pré-escola, também faz parte dessa história. Presente no cotidiano dele e dos colegas, ela contribuiu diretamente para a formação não apenas acadêmica, mas também humana de cada um deles.
“Eu não os trato como ex-alunos, sempre falo: meu aluninho. Na verdade, as conquistas deles são também minhas conquistas. Eles são como se fossem um pouco meus filhos, fico sempre torcendo pelo sucesso de cada um deles, seja qual for a escolha. Para um professor, ver que anos depois seus alunos estão bem e felizes é uma realização.”
Para Rosilei, o vínculo construído em sala de aula permanece ao longo do tempo. “Penso que fiz parte daquela vida em algum momento. Sei que marcamos muito a vida deles, mas eles também deixam suas marcas em nossas vidas.”
Ela também destaca o papel da Gazeta Educação na preservação dessas memórias. “O jornal Gazeta Educação tem um olhar voltado para a escola, destaca as boas práticas, marca momentos importantes. É emocionante ver que anos depois, graças a esse registro, temos a oportunidade de rever as crianças e comparar como estão atualmente. Acredito que para eles também tenha um significado importante, é um registro da infância.”
Um reencontro marcado pelo tempo e pelo afeto
A fotografia que ilustra esta matéria e a capa da edição especial carrega, por si só, um novo capítulo dessa história. Nela, Pedro aparece ao lado da professora Rosilei Charão, segurando a edição de 2010, época em que ele ainda era um pequeno aluno da pré-escola.

O reencontro entre os dois, realizado especialmente para a foto, foi marcado pela emoção. Havia tempo que professora e aluno não se viam. Ao se reverem, o carinho ficou evidente nos gestos, nos sorrisos e na forma como se reconheceram, agora em fases tão diferentes da vida.
Rosilei não escondeu a alegria ao reencontrar o antigo aluno, hoje já adulto. “Para nós, professoras, é como se fossem filhos também. No pré, além de ensinar, a gente cuida, dá atenção, carinho. Acho que isso faz com que a gente guarde esse sentimento para sempre.”
Pedro também demonstrou, de forma simples e sincera, o quanto essa lembrança permanece viva. “Eu lembro muito da minha professora do pré. Quando vejo ela na cidade, lembro: foi minha professora.”
O encontro revelou não apenas a passagem do tempo, mas a permanência de vínculos que vão além da sala de aula, laços construídos na infância e que seguem presentes na memória e na formação de cada aluno. Sua trajetória mostra que os caminhos podem mudar, mas o valor do esforço, da família e dos aprendizados permanece.
Ao deixar uma mensagem para as crianças e jovens que hoje vivem a fase escolar, ele resume em poucas palavras um conselho nascido da própria experiência: “Estudem muito, se apeguem aos seus pais, pois eles vão te dar a melhor faculdade da vida. Corram atrás dos seus sonhos.”, finaliza Pedro.
Ao completar 22 anos, a Gazeta Educação reafirma seu compromisso de continuar valorizando histórias, acompanhando trajetórias e registrando momentos que, com o tempo, se tornam parte preciosa da memória de alguém.
Por Patrícia Rocha e Raquel Fernandes
