A inauguração da sala multidisciplinar tecnológica na Associação Juliano Varela, dia 21 de março, em Campo Grande, marca mais um avanço no trabalho desenvolvido pela instituição, que há 30 anos se dedica ao atendimento de pessoas com deficiência intelectual e ao apoio às famílias.
Idealizadora da associação, Malu Fernandes relembra que a história do projeto começou a partir de uma experiência pessoal, marcada por desafios, mas, sobretudo, pelo amor.
“Quando o Juliano nasceu, foi um misto de alegria e tristeza, coragem e medo, mas o amor falou mais alto. Decidi apostar tudo no desenvolvimento dele”, conta.
Em busca de conhecimento e tratamento, Malu deixou sua rotina e foi para o Rio de Janeiro, onde permaneceu por dois anos, período em que Juliano passou pela estimulação precoce.
“Eram cerca de 2 mil quilômetros de distância entre a minha vida e o tratamento. Foi um tempo de muito aprendizado”, relembra.
Após essa fase, surgiu a necessidade de dar continuidade ao desenvolvimento do filho, especialmente nas áreas de escolarização e socialização. Foi nesse contexto que nasceu a Associação Juliano Varela, com o propósito de acolher outras famílias que enfrentavam a mesma realidade.
“Desde então, nos dispomos a servir a Deus atendendo todas as famílias de filhos com deficiência intelectual”, afirma.

Hoje, ao olhar para a trajetória construída, Malu destaca o sentimento de gratidão. Segundo ela, o cenário mudou significativamente, especialmente para as famílias do interior.
“Hoje, todas as mães encontram em Campo Grande tudo e muito mais do que eu ia tão longe buscar. As famílias do interior conseguem vir até aqui, até mesmo de ambulância, para buscar os conhecimentos necessários para estimular seus filhos”, pontua.
O atendimento na associação, incluindo a avaliação diagnóstica, segue fluxo regulado pelo sistema público de saúde.
“A avaliação é feita por meio do Sisreg. A família procura o posto de saúde, o médico faz o encaminhamento e, assim que a vaga é liberada, iniciamos todo o processo até a emissão do laudo”, explica.
Tecnologia a favor do desenvolvimento
A nova sala multidisciplinar tecnológica representa um importante avanço dentro da instituição. O espaço integra recursos tecnológicos voltados ao desenvolvimento integral das crianças.
“A sala multidisciplinar tecnológica é um recurso inovador nas áreas de habilitação, reabilitação, pedagógica e social. É a tecnologia a favor do desenvolvimento das pessoas com deficiência intelectual”, destaca.
De acordo com Malu, os benefícios são amplos e impactam diretamente na evolução das crianças atendidas.
“É uma infinidade de estímulos cognitivos, motores, auditivos, sensoriais e sociais, tudo de forma prazerosa, com muita cor, cheiro, textura e interação”, explica.
A estrutura também fortalece o atendimento às famílias que vêm de outros municípios, ampliando o alcance do trabalho realizado.
“A equipe multidisciplinar se qualifica diariamente, buscando ampliar conhecimentos e repassar isso ao maior número de pessoas possível”, afirma.
Referência e desafios
Com o passar dos anos, a Associação Juliano Varela ultrapassou os limites de Campo Grande e se tornou referência em todo o Estado. O aumento da procura, especialmente de casos relacionados ao Transtorno do Espectro Autista (TEA), reforça a importância do trabalho desenvolvido.
“O autismo é um grande desafio mundial. Precisamos avançar com celeridade para melhorar a qualidade de vida das famílias, principalmente nos casos que exigem níveis maiores de suporte”, ressalta.
Diante dessa realidade, Malu destaca a necessidade de ampliação dos atendimentos e do envolvimento coletivo.
“Precisamos lutar diariamente para ampliar o número de atendimentos e minimizar o sofrimento das famílias”, afirma.
Para ela, o tema não deve ser tratado como uma questão isolada.
“O autismo não é um problema das famílias. Ele diz respeito a toda a sociedade, porque não há grupo de risco. A qualquer momento, qualquer família pode viver essa realidade. É uma responsabilidade de todos nós”, conclui.


Por Patrícia Rocha
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