segunda-feira, 23 de março de 2026

Museu José Alves Cavalheiro reabre as portas e reforça compromisso com a preservação da história de Amambai

Espaço histórico, criado a partir do empenho de Almiro Pinto Sobrinho, volta a receber a comunidade sob os cuidados de Albertino Fachin e marca nova fase do Instituto Histórico e Geográfico de Amambai

A história de Amambai ganha novo fôlego com a reabertura, em abril, do Museu José Alves Cavalheiro, espaço que representa muito mais do que a guarda de objetos antigos: ele é um verdadeiro guardião da memória, da identidade e das raízes do município.

Instalado originalmente em 2004, no antigo prédio da Loja Maçônica Pedro Manvailer, o museu foi idealizado pelo escritor Almiro Pinto Sobrinho, um dos principais responsáveis por reunir, preservar e valorizar parte importante da história local. Na época, a instituição foi criada com o nome de Associação de Promoção e Pesquisa Cultural de Amambai, nascendo do esforço de quem compreendia a urgência de manter viva a trajetória do povo amambaiense.

Em 2016, o espaço passou a funcionar por meio de um termo de cooperação entre a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e a Prefeitura de Amambai. Após esse período, sobretudo com os impactos causados pela pandemia, o funcionamento do museu acabou sendo prejudicado e o local permaneceu fechado. Com o encerramento do termo de cooperação, em março de 2023, a Associação retomou o prédio e o acervo, iniciando um novo momento de reorganização.

Foi ainda em agosto de 2023, durante reunião extraordinária da diretoria, que houve a renovação do estatuto, a inclusão de novos membros e a mudança de denominação da entidade, que passou a se chamar Instituto Histórico e Geográfico de Amambai (IHGA).

Museu José Alves Cavalheiro reabre as portas e reforça compromisso com a preservação da história de Amambai

Atualmente, quem está à frente dos cuidados com o museu é Albertino Fachin, responsável por acompanhar essa nova etapa do espaço, que retoma seu papel histórico e cultural junto à comunidade.

Um centro de memória e pesquisa

Hoje, o Museu José Alves Cavalheiro integra uma estrutura mais ampla dentro do IHGA, que reúne diferentes setores voltados à preservação da memória regional. Além do museu, o instituto conta com o Centro Regional de Documentação Histórica Cornélia Dourisboure, a Mapoteca Antônio Delgado Martines, a Hemeroteca Nilo Luiz de Oliveira, o Cine Rural João Fouseck, o Centro de Memória Fotográfica Nicanor Alves do Amaral e a Biblioteca Pública Muriama de Oliveira Mascarenhas.

Museu José Alves Cavalheiro reabre as portas e reforça compromisso com a preservação da história de Amambai

A importância desse conjunto para Amambai é imensa. O instituto atua na preservação da memória local, na reunião e catalogação de documentos e artefatos históricos, no incentivo à pesquisa e na promoção da educação patrimonial, fortalecendo a identidade cultural dos moradores e funcionando como guardião do patrimônio histórico do município.

Como destaca Albertino Fachin, o espaço tem papel essencial nesse processo. “O Instituto Histórico e Geográfico de Amambai é fundamental para preservar a memória local, reunir e catalogar documentos e artefatos, promovendo a pesquisa e a educação patrimonial, além de fortalecer a identidade cultural dos moradores”, afirma.

Relato do senhor Almiro Pinto sobre a criação do museu

Em conversa com a reportagem da Gazeta Educação, o senhor Almiro Pinto Sobrinho, que atualmente reside em São Paulo, contou detalhes sobre o surgimento do museu e relembrou como começou o trabalho de preservação da história de Amambai.

Segundo ele, o museu nasceu enquanto realizava pesquisas sobre a história do município. Durante esse trabalho, moradores da cidade começaram a lhe entregar peças antigas, objetos guardados pelas famílias e itens que faziam parte da memória local. Aos poucos, Almiro foi reunindo esse acervo em casa, com peças como espadas, armas, moinhos de café e outros objetos históricos.

A ideia de transformar esse material em museu surgiu em uma conversa com Muriama, na casa de Almiro. A partir daí, foi criada uma associação para dar caráter jurídico ao projeto, e a Loja Maçônica cedeu o prédio onde o espaço começou a funcionar. Depois, com o apoio da comunidade, foi realizada uma campanha para arrecadar recursos e reformar o local, permitindo que o museu fosse instalado como um espaço voltado à preservação da história de Amambai.

Museu José Alves Cavalheiro reabre as portas e reforça compromisso com a preservação da história de Amambai

Anos mais tarde, quando se mudou para São Paulo, o senhor Almiro precisou deixar o museu sob a responsabilidade de outra instituição. A UEMS recebeu o acervo em caráter provisório. Mais tarde, o museu voltou para a cidade e passou a ser administrado por Albertino Fachin, que assumiu a missão de reorganizar o espaço e retomar as atividades.

O senhor Almiro afirma que se sente feliz ao ver o museu ganhando nova vida. “Eu me orgulho de fazer parte dessa história e fico muito feliz com a retomada dos trabalhos. É uma alegria ver que esse esforço não foi em vão e que a história de Amambai continua sendo preservada.”

Acervo reúne relíquias, documentos raros e memórias da cidade

Grande parte do acervo foi formada ao longo dos anos por meio de doações recebidas pelo senhor Almiro. Entre os materiais preservados estão peças antigas, documentos, fotografias e mapas que ajudam a contar a trajetória de Amambai e de sua população.

Museu José Alves Cavalheiro reabre as portas e reforça compromisso com a preservação da história de Amambai

Entre os itens mais antigos e simbólicos estão máquinas de costura de 1890, baús utilizados nas caravanas de sulistas que chegaram à região, além de documentos com mais de 150 anos, como um passaporte francês, e um exemplar de livro de homeopatia farmacêutica datado de 1856.

Outro destaque recente é a doação recebida em 2025 de um importante acervo de 1.520 fotografias e negativos pertencentes ao saudoso Nicanor Alves do Amaral. Esse material está passando por um processo de digitalização e identificação, com apoio do reconhecimento feito por moradores de Amambai, o que amplia ainda mais o valor histórico e afetivo do acervo.

Trabalho de preservação exige cuidado contínuo

Manter um espaço como esse em funcionamento não é tarefa simples. O período em que o museu ficou fechado trouxe prejuízos à conservação de parte do material. Algumas peças de madeira foram afetadas por cupins, enquanto livros sofreram com a ação de traças, exigindo um trabalho lento, contínuo e cuidadoso.

A conservação do acervo demanda atenção especial não apenas com os objetos e documentos, mas também com a forma de manuseio, para garantir que esse patrimônio histórico seja protegido e possa atravessar gerações.

Atualmente, o IHGA conta com a parceria do poder público municipal, que colabora com uma estagiária para atendimento ao público nos períodos da manhã e da tarde, ajudando a manter as atividades em andamento.

Reabertura marca novo momento com biblioteca reconhecida oficialmente

A reabertura do espaço, marcada para 08 de abril, acontece em um momento importante para o instituto. O prédio do museu passou recentemente por reforma no telhado, depois que as fortes chuvas de novembro e dezembro provocaram goteiras que ameaçavam o acervo. O problema foi solucionado com recursos do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, oriundos de penas pecuniárias.

Museu José Alves Cavalheiro reabre as portas e reforça compromisso com a preservação da história de Amambai

Mas o grande marco desta reabertura é também a apresentação da Biblioteca Pública Muriama de Oliveira Mascarenhas. Em 2025, o IHGA recebeu um pequeno acervo de livros antigos vindos da biblioteca da UEMS. Já em fevereiro deste ano, foi assinado o termo de cessão do acervo da antiga biblioteca municipal, incorporando mais de 3.200 obras ao instituto.

Com isso, a biblioteca do IHGA foi oficialmente reconhecida pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, consolidando mais um importante passo na ampliação do acesso à cultura, à leitura e ao conhecimento histórico no município.

Convite à comunidade

Mais do que reabrir um prédio, o momento representa a retomada de um elo entre passado e presente. A proposta do instituto é que a população, especialmente os estudantes e os jovens, visite o espaço não apenas para observar peças antigas, mas para conhecer a história por trás de cada objeto, documento e mapa, despertando o sentimento de valorização da própria origem.

Como resume Albertino Fachin, visitar o local é uma forma de reencontro com a própria história. “Relembrar ou descobrir o que aconteceu no passado de uma cidade é o mesmo que retornar ao passado. A história dá vida à memória, mantendo em destaque os grandes feitos de um povo”, ressalta.

Ao abrir novamente suas portas, o Museu José Alves Cavalheiro reafirma sua missão de impedir que a história de Amambai caia no esquecimento. Afinal, preservar a memória de uma cidade é também preservar a identidade de seu povo.

Por Patrícia Rocha
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