No primeiro dia do ensino médio, nós éramos só mais quatro rostos confusos segurando um horário de aulas que parecia um enigma matemático. A primeira coisa que notemos foi o silêncio diferente. Não tinha mais aquele griteiro de criança correndo. O clima era mais denso, um pouco mais sério. As conversas no corredor já não eram sobre desenhos, mas sobre qual curso fazer no vestibular. A responsabilidade agora é imensa.

A escola indígena traz um sentimento misto. De um lado, o receio de que aquilo fosse algo “de fora” que não nos pertencesse; de outro, a percepção imediata de que a tecnologia é uma ferramenta, como um arco ou uma rede, que podemos dominar para proteger nosso território.
A nossa Escola Estadual Indígena Mbo’eroy Guarani oferece ensino profissionalizante. Esses cursos focam em áreas como Agroecologia, EJA Qualifica e muitos outros projetos como Robótica. O ensino, uma nova dinâmica escolar, estão aperfeiçoando os alunos indígenas Guarani Kaiowá.
Somos jovens indígenas Guarani kaiowá, a nossa expectativa para o ensino médio é o fortalecimento da identidade e caminhar junto com o domínio da tecnologia e da ciência ocidental. Existe uma ansiedade positiva em dominar ferramentas como a robótica, o geoprocessamento e a comunicação digital. A expectativa é usar o “kit robótica” não para criar brinquedos, mas para monitorar o território, prever secas ou proteger as águas.

Muitos temem que a escola profissionalizante tente “apagar” seus costumes. A expectativa é por uma escola intercultural, onde o gráfico da função de segundo grau possa coexistir com o calendário agrícola da aldeia.
Liliane Nunes Mendes
Mikaely Belmontes lemes
Mariane Cáceres Paulo
Tainara Vasques Gonçalves
Alunas do 1º. Ano do Ensino Médio da Escola Estadual Indígena Mbo’eroy Guarani Kaiowa

