domingo, 1 de março de 2026

Cinthya e Lidiane – Entrevista na Íntegra

Em 2013 e, anos depois, em 2018, as irmãs Cíntia e Lidiane ocuparam as capas da Gazeta Educação representando sonhos em construção. Naquelas páginas, estavam cheias de expectativas, dedicação e planos para o futuro. Hoje, essas histórias ganharam novos contornos e resultados que inspiram.

Para esta edição do Por Onde Anda, reencontramos as duas para revisitar memórias, escolhas e desafios que marcaram suas trajetórias. A entrevista revelou reflexões maduras, relatos de superação e um profundo reconhecimento do papel da educação em suas vidas. Diante de respostas tão inspiradoras, optamos por publicar a conversa na íntegra, porque algumas histórias não cabem em resumo: elas merecem ser lidas, sentidas e compartilhadas.

Cinthya Martins

Cinthya e Lidiane - Entrevista na Íntegra

Gazeta Educação – Você se lembra do dia em que foi capa da Gazeta Educação em 2018? O que aquela fase representava na sua vida? Em que série estava e onde estudava?

Cinthya Martins – Com certeza. Já fui capa duas vezes; já estou me sentindo uma celebridade (rsrs). Em 2013, eu estava com 12 anos, no 6º ano, e tinha acabado de me transferir para a Escola Antônio Pinto da Silva. Para mim, aquele momento era de muitas novidades, e lembro como eu estava empolgada com tudo. Eu e minha irmã começamos juntas no Fetran. Fomos o primeiro grupo do Fetran em Amambai, em 2013, quando o Luiz Cláudio começou com o projeto. E, desde então, não paramos até terminar o ensino médio.

A segunda capa – que, inclusive, semana retrasada postei no story – foi em 2018. Eu estava com 17 anos, no 3º ano do Ensino Médio, estudando na Escola Felipe de Brum. E aquela fase era de esperança, pois eu iria começar uma faculdade e estava pensando nisso. Foram dois momentos muito importantes para mim e, coincidentemente, a Gazeta Educação registrou. Isso tem muito valor, porque, nesses momentos, era como se alguém dissesse: “Continue, você está no caminho certo”.

Gazeta Educação – Naquela época você participava de um projeto de teatro no Departamento de Trânsito da cidade. O que essa experiência ensinou para você?

Cinthya Martins – O Fetran foi fundamental para o meu crescimento pessoal. O palco me ensinou algo que carrego até hoje: presença e sensibilidade. Com o Fetran, transmitíamos mensagens importantes de forma acessível para a população; ali eu aprendi o poder da comunicação. 

O Fetran, para mim, foi algo mágico, e não tem como falar de Fetran e não lembrar do professor Luiz Cláudio e da Alessandra Tavares. Eu costumava dizer que eles eram almas gêmeas: Luiz escrevia textos e a Alessandra dava vida ao espetáculo. As técnicas de teatro que aprendi me ajudaram muito na questão da timidez. Eu era extremamente tímida, e isso faz você perder boas oportunidades. Na verdade, uso muitas técnicas até hoje.

Gazeta Educação – Quando nasceu o sonho de cursar Medicina? Ele já existia naquela fase da escola?

Cinthya Martins – O sonho já existia, desde quando eu via minha mãe trabalhando como agente de saúde na Aldeia Amambai, mas era muito distante. Eu admirava a profissão, mas não tinha muita referência de alguém da minha realidade que tivesse conseguido. Sendo bem direta: até então, nenhum indígena tinha conseguido. Por isso, eu dizia querer fazer Odontologia, que é “prima” do curso.

Com o tempo, e especialmente depois de vivências pessoais marcantes, o desejo deixou de ser apenas admiração e virou propósito.

Gazeta Educação – Entre 2018 e o ingresso na universidade, quais foram os momentos mais marcantes da sua trajetória?

Cinthya Martins – Foram anos muito intensos. Terminei o ensino médio em 2018 e havia conseguido passar em Odontologia na UFMS, mas logo descobri que estava grávida, então minha vida virou de cabeça para baixo. Logo comecei a viver a maternidade solo. Eu tinha 18 anos, um bebê no colo e sonhos interrompidos. Enfrentei muitos desafios emocionais, pois, há um ano, eu era uma adolescente sonhadora e, de repente, uma mulher, mãe solo e desempregada.

Mas, modéstia à parte, eu sempre estudei bastante e realmente acreditava no poder da educação. Passei no concurso da prefeitura; isso foi muito marcante para mim, porque foi minha primeira conquista profissional. E, dentro desse meio, acabei sofrendo racismo, o que me fez dar uma freada em tudo. Foram muitas mudanças, desafios emocionais, responsabilidades precoces e muitos momentos de reconstrução. Teve a pandemia, que foi um grande desafio psicológico para mim. Precisei amadurecer rápido.

Cada obstáculo me ensinou resistência. Não foi uma trajetória linear; foi uma trajetória de recomeços.

Gazeta Educação – Qual foi o maior desafio que você enfrentou até conquistar a vaga em uma universidade federal?

Cinthya Martins – Conciliar responsabilidades de adulta e mãe com o estudo. Estudar cansada, insegura, muitas vezes duvidando de mim mesma. A maior batalha foi interna: acreditar que eu era capaz de conseguir, mesmo quando tudo parecia dizer o contrário.

Se antes eu já achava que fazer Medicina era algo muito difícil, sendo mãe solo isso às vezes parecia um delírio. Mas minha família me apoiava muito e, quando eu parava de acreditar, eles acreditavam por mim.

Gazeta Educação – Houve algum momento em que você pensou em desistir ou duvidou que conseguiria? O que te fez continuar?

Cinthya Martins – Sim, vários. Houve momentos em que a exaustão emocional pesou muito. Inclusive, eu desisti quando faltava apenas realizar a matrícula. Em 2022, eu passei em Medicina na Unirio, na mesma universidade em que meu irmão faz Medicina, e pode parecer loucura, mas eu “morri na praia”, porque não me achei digna. Fiquei com medo de me mudar para o Rio de Janeiro com um bebê de 2 anos. Minha mãe me deu a alternativa de ficar com ele enquanto eu estudava, mas, para mim, isso não era uma possibilidade.

O que me fez tentar de novo foi a torcida e o carinho da minha família, e principalmente do meu irmão, porque agora eu tinha uma referência de um indígena fazendo Medicina. Ele me ajudou muito a me preparar para os ENEMs da vida e acreditava em mim mais do que eu mesma. E, obviamente, minha maior motivação é minha filha. Eu vi que, para dar um futuro melhor para ela, eu teria que superar meu medo e arriscar.

Quando a gente tenta, se der errado, o máximo que vai acontecer é você continuar no mesmo lugar. Mas… e se der certo?

Gazeta Educação – Como foi o dia em que saiu o resultado da sua aprovação? Quem estava com você?

Cinthya Martins – Foi um dos dias mais marcantes da minha vida. Um misto de incredulidade, choro e alívio. Passou um filme na minha cabeça de tudo que eu havia vivido até ali. Foi a confirmação de que nenhum esforço tinha sido em vão. Mais do que aprovação, foi validação. 

Dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, mas, para mim, caiu – e, dessa vez, eu agarraria com unhas e dentes essa oportunidade, pois ali eu senti que havia um propósito de Deus.

Naquele momento, estava ao meu lado a pessoa mais importante da minha vida: minha filha. Agora com 6 anos, eu pude compartilhar com ela. Essa conquista era minha e dela. Logo depois, liguei para avisar minha mãe, que me disse: “Parabéns, filha, mas eu sempre soube que você conseguiria”. Então, eu percebi que a minha família nunca parou de me ver como alguém brilhante, algo que nem eu estava enxergando mais.

Gazeta Educação – O que mudou na sua vida ao entrar na faculdade de Medicina?

Cinthya Martins – Mudou minha perspectiva. Entrar na UFFS me fez perceber que pertencimento não depende de origem. Trouxe desafios novos: eu estou a quase 700 km da minha família, eu e a minha filha. Tive um choque social muito grande. Eu sou da Aldeia Amambai, de uma origem humilde, e estou na mesma sala de colegas com famílias com bom poder aquisitivo.

Antes de entrar, eu achava que, se eu conseguisse passar, já estava tudo resolvido. Mas é difícil entrar e mais difícil ainda permanecer quando não se tem apoio financeiro. Meus irmãos também são universitários e não têm como me ajudar. Às vezes, chego a achar engraçado: meu irmão manda “Cinthya, me empresta 3,75 para almoçar”; eu respondo: “Não sei, não… é o dinheiro do meu ônibus”.

Eu amadureci muito e, apesar dos perrengues, tenho certeza de que estou construindo algo maior do que eu.

Gazeta Educação – O teatro, o projeto de trânsito e a vivência escolar contribuíram de alguma forma para a estudante que você é hoje?

Cinthya Martins – Com certeza. O teatro me deu comunicação e presença. O Fetran, além de responsabilidade social, me abriu um mundo de possibilidades. E eu também, graças ao Fetran, viajei bastante, o que eu não teria condições de fazer com a minha realidade. Essas viagens me faziam sentir que o mundo era pequeno – e eu, que já era sonhadora, senti que foi o empurrão que faltava.

A escola pública me deu base e resistência. Além disso, os professores que tive em Amambai foram fundamentais, e a maioria deles também tinha esperanças de um futuro promissor para mim. Fico feliz de ter conseguido. Eu queria poder abraçar todos. Tudo faz parte da médica em formação que estou me tornando.

Gazeta Educação – Que conselho você daria aos alunos que hoje estão na fase que você estava na época da matéria na Gazeta Educação e que também têm um grande sonho?

Cinthya Martins – Não esperem que as circunstâncias estejam perfeitas. Elas provavelmente não estarão. Persistência vale mais que genialidade.

E sonhos não escolhem classe social. Eu e meus irmãos somos prova disso: três indígenas, filhos de uma mãe solo — mãe essa que sempre nos fez acreditar que a educação poderia mudar a nossa história. E está mudando, pois agora seremos dois indígenas médicos e uma advogada. Então, não há obstáculo maior que seu sonho. Adversidades vão existir, vai ser difícil, mas, se nós conseguimos, por que você não conseguiria?

Se o sonho é grande, a caminhada também será. Mas vale a pena.

Lidiane Martins

Cinthya e Lidiane - Entrevista na Íntegra

Gazeta Educação – Você se lembra de quando apareceu na Gazeta Educação em 2013? O que aquela fase representava na sua vida?

Lidiane Martins – Lembro com muito carinho. Em 2013, eu ainda estava no ensino fundamental, na Escola Antônio Pinto da Silva. Eu era só uma menina sonhadora, cheia de curiosidade, e a escola era minha única grande responsabilidade.

Era uma fase leve, bonita e cheia de descobertas. Foi ali que construí amizades que carrego até hoje e tive professores que marcaram minha história. Inclusive, a minha melhor amiga daquela época continua sendo uma grande amiga.

Naquele período, comecei a perceber, mesmo sem entender muito bem, que o mundo era maior do que eu imaginava. Foi quando meus sonhos começaram a tomar forma.

Gazeta Educação – O teatro e o Fetran despertaram o quê em você?

O teatro mudou minha vida. Eu era extremamente tímida, tinha vergonha de falar em público. E foi justamente ali, no palco, que comecei a me descobrir.

Participei do Fetran por muitos anos, desde o ensino fundamental até o fim do ensino médio. Então, esteve presente na minha história por muito tempo, e com isso tenho muitas memórias afetivas. O teatro me ensinou disciplina, responsabilidade, trabalho em equipe e, principalmente, confiança. E, sem sombra de dúvidas, isso foi fundamental para o meu crescimento.

Quando terminei a escola e não podia mais competir, fiquei um pouco chateada, porque eu sempre participei e não me via fora do projeto. Eu não estava preparada; sentia que ainda queria fazer parte daquilo. Então, passei a ajudar nos ensaios, orientando os alunos. Foi emocionante perceber que eu já estava do outro lado, contribuindo com aquilo que um dia me formou. E ver crianças iniciando o projeto, cheias de curiosidade e sonhos… eu já estive naquele lugar.

Em 2018, recebi o convite do professor Luiz Cláudio para colaborar com o projeto. Aquilo significou muito para mim, pois ele confiou a mim a responsabilidade de acompanhar uma escola. Eu não era apenas um apoio; eu era, agora, responsável por uma galerinha. Pude criar vínculo com meus pupilos, além do teatro. Eles me viam com admiração e confiança. Com certeza, foi uma experiência marcante. Foi um momento de muito orgulho e superação: tanto para mim, que estava amadurecendo, quanto para eles. Foi lindo.

Logo em seguida, Alessandra, minha antiga professora de teatro, me chamou para trabalhar com ela no Centro da Juventude como professora de teatro. Foi muito gratificante perceber que alguém que participou da minha formação confiava no meu trabalho. Nunca esquecemos quem nos oferece as primeiras oportunidades.

Gazeta Educação – Quando surgiu o interesse pela segurança pública?

Lidiane Martins – O interesse começou ainda na escola. Quando participei do Fetran, eu admirava a atuação da Polícia Rodoviária Federal. Naquela época, eu não compreendia totalmente a carreira, mas já existia uma admiração.

No ensino médio, quando começou aquela pressão de escolher uma profissão, eu já sabia que queria a área jurídica: investigação, segurança pública. Era algo que vinha crescendo dentro de mim.

Entrei na faculdade de Direito pensando na PRF. Mas o Direito acabou me conquistando também. E, quando comecei a estagiar na Polícia Civil, senti algo inexplicável, como um amor à primeira vista. Tudo me encantou: o ambiente, a rotina, meus colegas. E ali tive a certeza: era isso. Era ali que eu me via.

Gazeta Educação – Quais momentos marcaram sua trajetória?

Lidiane Martins – Um dos momentos mais marcantes foi quando viajei para Brasília após a escola vencer o Fetran. Eu tinha uns 15 anos e nunca tinha saído de Amambai. Aquela viagem abriu minha mente. Eu entendi que o mundo era muito maior do que eu conhecia. Até então, eu tinha sonhos, mas nunca havia chegado perto de senti-los próximos. Lá em Brasília, visitando museus e pontos turísticos e, obviamente, a sede da PRF, eu acreditei que poderia ir a qualquer lugar. Ali virou uma chave dentro de mim. Percebi que precisava correr atrás dos meus sonhos.

A aprovação no curso de Direito também foi transformadora. Eu vinha de uma realidade simples, sem condições financeiras para grandes oportunidades, e isso limita os sonhos. Mas minha mãe desviava dessas crenças limitantes e sempre me motivou a estudar; dizia que nada é impossível quando se tem força de vontade. De repente, eu estava em ambientes com juízes, defensores, delegados, advogados. Nem nos meus melhores sonhos imaginei frequentar os mesmos ambientes, e confesso que demorou um pouco para eu sentir naturalidade em estar lá. Por bastante tempo, eu me pegava fascinada.

Atender pessoas foi algo que mexeu muito comigo. Ver pessoas que não conheciam seus direitos básicos, pessoas desesperadas por algo essencial, como um medicamento… aquilo me fez entender o verdadeiro sentido da profissão e despertou em mim uma consciência social muito forte. O Direito me transformou profundamente. E pensar que tudo começou com aquela admiração ainda no ensino fundamental e floresceu dentro de mim… foi um processo lindo.

E o estágio na Polícia Civil marcou minha transição da adolescência para a vida adulta. Ali eu amadureci. Entendi o peso da responsabilidade, pois eu nunca havia tido um trabalho formal e, logo de cara, foi bem formal mesmo. Lá eu entendi algo muito importante: a sua imagem transmite uma mensagem. Então, a maneira como você fala, como se comporta em situação de pressão, fazia diferença, principalmente no ambiente em que eu estava.

Gazeta Educação – Qual foi o maior desafio?

Lidiane Martins – Conciliar tudo: trabalho, estudo, vida pessoal, cansaço… Não é fácil. Existem dias em que a motivação falha. Mas algo que aprendi com os meus desafios foi que tudo bem falhar às vezes. Você pode recomeçar. Não precisa ser tão duro consigo mesmo. 

Gazeta Educação – Você já pensou em desistir?

Lidiane Martins – Sim. Já duvidei de mim. Já me senti cansada. Mas, toda vez que penso em desistir, lembro da minha história. 

Minha mãe sempre acreditou muito em nós, apesar dos poucos recursos financeiros para investir nos estudos. Meus irmãos são prova viva de que dedicação transforma destinos: eles cursam Medicina hoje, e foi um longo caminho de recomeços. Se tivessem desistido na primeira vez, não estariam lá.

Nós aprendemos dentro de casa que estudar era o único caminho para mudar a nossa história. A educação foi e ainda é o único caminho possível para quem vem de origem humilde. E lembrar de onde eu saí sempre me dá forças para continuar.

Gazeta Educação – Como foi o dia da aprovação na faculdade?

Lidiane Martins – Foi um dos dias mais emocionantes da minha vida. Eu senti que estava honrando minha família, minha mãe, tudo o que vivemos.

Foi a confirmação de que esforço não é em vão. Representou a certeza de que todo esforço, todas as renúncias e noites de estudo estavam valendo a pena.

Foi também a prova de que nossos sonhos não são limitados pela nossa condição financeira, mas pela nossa disposição de lutar por eles.

Gazeta Educação – O que mudou em você ao longo desses anos?

Lidiane Martins – Mudou tudo. Existe uma diferença enorme entre a menina de 2013 e a mulher que sou hoje. 

Hoje sou mais madura, mais consciente, mais responsável. A faculdade e o estágio me deram uma visão mais humana sobre a sociedade. Eu entendi que segurança pública não é apenas profissão: é compromisso.

Cada oportunidade que surgiu na minha vida foi fruto de muito esforço. Nada veio fácil. E talvez seja isso que torna tudo tão valioso. Cresci como pessoa e como futura profissional da área jurídica. Muitas oportunidades profissionais e pessoais surgiram como consequência do esforço e da dedicação aos estudos.

Gazeta Educação – O teatro e a escola ainda refletem na sua vida hoje?

Lidiane Martins – Muito. A forma como me comunico, minha postura, meu autocontrole… tudo começou ali. 

Sou profundamente grata àquela fase. Foi a base de tudo. Ainda tenho muito a aprender, mas reconheço que cada etapa me construiu.

Gazeta Educação – Que conselho você daria para quem sonha com a segurança pública?

Lidiane Martins – Sonhem, mas sonhem trabalhando por isso.

Planejem. Estudem. Persistam. Vai ser cansativo. Vai ter dúvida. Vai ter dificuldade, inclusive financeira. Mas não deixem que isso defina até onde vocês podem chegar.

Nada é impossível quando existe disciplina, fé e constância.

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