Alunos da Escola Municipal Mitã Rory brilharam nas Paralimpíadas Escolares 2025, realizadas no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo.
As Paralimpíadas Escolares reúnem 2.055 atletas das 27 Unidades Federativas, consolidando-se como o maior evento do mundo dedicado à formação de jovens atletas com deficiência. Entre os destaques estiveram Fraylson Vera, 12 anos, da classe T13 (deficiência visual), e Tatiane Freitas, 13 anos, da classe T20 (deficiência intelectual).
Fraylson perdeu a visão do olho esquerdo aos nove anos, após ser atingido por uma pedra lançada de um estilingue, por um vizinho que tentava acertar um passarinho. Após avaliação médica, foi informado à família que não havia mais intervenção possível. No ano seguinte, foi convidado a integrar o projeto Mitã Vy-a, que significa “Criança Feliz” no idioma Guarani Kaiowá, coordenado pelo professor Fernandes Ribeiro, que atende 30 atletas.
Treinando em estradas de terra e campo de futebol, ele conquistou três medalhas nas provas de 60m, 100m e 200m: um ouro e duas pratas.
O projeto desenvolve as atividades em um campo de futebol ou nas estradas próximas à aldeia: “Nós corremos na estrada; às vezes o professor nos acompanha de bicicleta para dar as instruções”, explicou Fraylson.
Embora o foco principal seja o atletismo, o projeto contempla outras modalidades, como basquete em cadeira de rodas e futebol PC (paralisados cerebrais), sempre buscando ampliar a visibilidade e a aceitação do paradesporto entre as famílias indígenas.
“Trabalhar com atletas paralímpicos exige conquistar primeiro a família, mostrar a importância do esporte na vida dessas crianças. Isso leva tempo para se espalhar pela aldeia. Os pais estão aprendendo a aceitar, e essa visão já mudou muito”, destacou Fernandes, técnico e fundador do projeto.
Tatiane, identificada pelo professor após chegar de Dourados, encontrou no esporte acolhimento e vínculo com o grupo. O projeto, que caminha para cinco anos, planeja ampliar a participação em competições nacionais, mostrando o potencial dos estudantes indígenas com deficiência.
(Com informações do [email protected])

